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Atualizado às: 26 de agosto, 2003 - 16h47 GMT (13h47 Brasília)
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Testemunho: O caminho para a desunião

Soldado israelense patrulha muro em construção que divide Cisjordânia
Para Asser, silêncio no embarque em Londres já indica gravidade da situação no Oriente Médio

Durante toda a viagem de Londres para Jerusalém via Tel Aviv, há memórias do estado lamentável das relações entre israelenses e palestinos.

Esta é a terceira vez em 18 meses que eu visito Jerusalém para fazer a cobertura dos fatos na região para a BBC, mas nunca cheguei aqui vendo uma perspectiva tão sombria do futuro.

Isso é visível já no rosto dos meus colegas passageiros no vôo da British Airways, enquanto aguardávamos para embarcar para Tel Aviv, no aeroporto de Heathrow, em Londres.

Olhares discretos e ansiosos são trocados entre os passageiros – nada das piadas e discussões que fazem parte do ritual pré-embarque em tantos outros aviões que tomei para o Oriente Médio.

Talvez seja o fato de que não esteja claro pelas aparências para quem são as lealdades de cada passageiro.

Homens com roupas austeras ou solidéus (utilizados por homens judeus) e suas esposas são fáceis de identificar. Mas o resto de nós não tem sinais aparentes.

Possível terrorista

No corredor, à espera do ônibus para nos levar ao avião, o silêncio era de se ouvir um alfinete caindo no chão.

Que diferença em relação ao meu vôo anterior, em um avião da companhia aérea israelense El-Al, no ano passado, quando os passageiros israelenses faziam um grande barulho em Heathrow, como se já tivessem chegado ao destino.

Não que eu pudesse me unir a eles, já que tinha sido rotulado de provável terrorista pela segurança da El-Al. Fui tirado da fila e questionado antes de me autorizarem a entrar no avião. Fizeram com que eu passasse os sapatos que calçava nos raios X antes de embarcar, como medida de precaução.

A sensação ao viajar naquele avião foi ainda mais surrealista quando eu vi que, ao lado da minha poltrona na classe econômica, estava o então Arcebispo da Cantuária, George Carey. Ele me contou que passara por medidas similares de segurança, embora não tão rigorosas como aquelas a que fui submetido.

Hoje, minha jornada foi menos agitada. Os eventos no local de destino é que causam maior apreensão.

Grupos militantes palestinos suspenderam sua hudna – cessar-fogo temporário – e, depois do devastador atentado suicida da semana passada, agora ameaçam se vingar rápido e de forma sangrenta de uma série de assassinatos de seus homens mais destacados, realizados pelos israelenses nos últimos dias.

Quando sobrevoávamos Tel Aviv, eu esperava ver um ônibus em chamas, após ataque, em uma das avenidas da cidade.

Felizmente, não vi nada disso.

Depois da aterrissagem, a atmosfera ficou menos tensa, com israelenses alegres por voltar para casa, judeus ansiosos para se unirem a seus parentes, e o resto de nós, satisfeitos com esse clima mais leve.

 Em poucos minutos na autoestrada, vê-se o problema aqui: o que fazer com terra que os palestinos reivindicam para seu futuro Estado e que os israelenses colonizaram.

Martin Asser

Depois de algumas perguntas já esperadas no balcão da imigração, durante o exame do meu passaporte ("Qual é a origem do seu nome?", "Com quem você se encontrou quando esteve no Egito?"), eu pude pegar a bagagem e seguir para o ponto de táxi rumo a Jerusalém.

Jerusalém

Para os não iniciados, o caminho do aeroporto para Jerusalém pode não apresentar nada de incomum.

Pouco depois de passar por planícies férteis bem cultivadas, observa-se que o terreno vai se elevando, e o carro passa por áreas com vários níveis de renovação ou decadência.

É uma viagem agradável, mas leva o passageiro quase que imediatamente para o coração de um dos conflitos mais sangrentos e difíceis dos tempos atuais.

As cidades novas – Modi'in, Maccabim, Re'ut, Giv'at Ze'ev – são assentamentos judaicos construídos em terra ocupada, numa violação de leis internacionais.

As cidades mais velhas, interligadas por caminhos de terra batida, mas separadas da estrada principal por portões de aço e obstáculos de terra e pedregulho, são palestinas.

Elas não têm placas, mas meu mapa produzido por palestinos as identifica como Kharbata, Beit Ur, Al-Tira e Al-Jib.

Então, sem qualquer indicação visível, nós entramos na Cisjordânia.

Em poucos minutos na autoestrada, vê-se o problema aqui: o que fazer com terra que os palestinos reivindicam para seu futuro Estado e que os israelenses colonizaram.

Eu estico o pescoço para ver indícios da "barreira de segurança", que parece ser a atual resposta de Israel para o problema, mas em vão.

Nós estamos muito longe, ao sul, onde ela ainda não chegou.

Poucos minutos depois, nós estamos nos subúrbios do nordeste de Jerusalém.

Lá estão, novamente, conjuntos habitacionais em massa, no que antes era o lado palestino da Linha Verde que separava Israel da Cisjordânia, antes de 1967.

Hoje essa área é considerada pelos israelenses como parte de sua "capital eterna e indivisível".

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