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Atualizado às: 22 de agosto, 2003 - 21h02 GMT (18h02 Brasília)
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Violência pode detonar 'guerra civil' palestina, diz analista

Atentado suicida em Israel desencadeou onda de violência

A escalada de violência no Oriente Médio – que põe em risco a concretização do plano de paz proposto pelos Estados Unidos – pode culminar em uma espécie de guerra civil entre os palestinos, na opinião do professor Alberto Spektorovski, da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

Para Spektorovski, o processo desencadeado pela explosão de um homem-bomba em um ônibus na terça-feira, matando 20 civis israelenses, seguido da morte de Ismail Abu Shanab – em um ataque de helicópteros de Israel – pode desestabilizar o atual primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen.

"É muito provável que isso desencadeie uma espécie de guerra civil. Ele (Mazen) vai ser acusado de colaborar com Israel, mas ele não está sozinho, tem seus seguidores. E tem muitos palestinos que também não estão satisfeitos com a atuação do Hamas", diz Spektorovski.

O processo deve provocar mais mortes, segundo o professor, mas pode acabar, paradoxalmente, apontando a saída para a crise.

"Os Estados Unidos estão esperando um pouco de sangue, o esgotamento total das duas partes, para então apresentar uma solução imposta. Isso significa o mesmo road map, mas com as obrigações de cada um muito mais firmes e mais precisas", conclui.

No lixo

A opinião do analista Anthony Motley, ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil e consultor internacional, é diametralmente oposta.

"Eu acho que os Estados Unidos não queriam que Israel retaliasse o Hamas. Ninguém vai abandonar totalmente o plano de paz. Não tem outro plano", afirma Motley.

Hamas prometeu vingar morte de um de seus líderes

Já para o analista palestino Mazen Nicolas Manasseh, da Organização Palestina Brasileira, o plano de paz pode ir para o lixo.

"Sharon nunca acreditou no plano de paz. O objetivo dele ainda é o objetivo sionista de terras. Ele não pode estar a favor porque o plano diz que eles têm de sair de Jerusalém. O que ele faz? Um cerco à cidade", afirma Manasseh.

Durante o funeral de um dos líderes do Hamas, morto por helicópteros israelenses na quinta-feira, o grupo prometeu vingança.

O governo de Israel, por sua vez, já tomou medidas para apertar o cerco aos militantes palestinos.

"Tem que parar com este 'dando tapa, recebendo tapa'. Desse jeito, não vai haver paz na região", afirma o americano Motley.

Saída

Qual seria então a solução? Apesar da hipótese de guerra civil sugerida por Spektorovski, os analistas pedem um maior envolvimento da comunidade internacional.

"Tradicionalmente, os Estados Unidos têm, dizem, uma influência maior sobre Israel, e a Europa, sobre os palestinos. Cada um tem que falar com eles para parar esse ciclo", diz Motley.

Na opinião do analista palestino, no entanto, a solução final ainda está longe.

"O problema nosso, dos árabes, é que os nossos radicais estão na oposição. É difícil a Autoridade Palestina controlá-los. Enquanto que os radicais em Israel estão no poder", critica Manasseh, que gostaria de ver posto em prática a proposta feita pela Liga Árabe, que prevê o recolhimento dos israelenses aos limites anteriores a 1967.

Mais otimista a longo prazo, Alberto Spektorovski, vê na situação atual um movimento descendente.

"É uma situação complexa, um processo dialético de altos e baixos. Estamos atravessando um momento de baixa, muita baixa", afirma o professor israelense.

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