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Jornalistas da BBC depõem sobre caso Kelly
O papel de jornalistas e executivos da BBC esteve nesta quarta-feira no centro das atenções do inquérito sobre a morte do cientista David Kelly. No terceiro dia de audiências na Corte Suprema de Justiça, em Londres, o diretor de jornalismo da BBC, Richard Sambrook, defendeu as reportagens feitas pela sua equipe sobre o dossiê do governo a respeito de armas de destruição em massa no Iraque. Mas a jornalista Susan Watts, editora de ciências do programa Newsnight, disse ter sentido que foi colocada sob pressão pela diretoria da BBC por causa de suas reportagens e afirmou ter procurado ajuda legal independente. Kelly aparentemente cometeu suicídio após ter sido apontado como a fonte da reportagem que a rádio BBC 4, de alcance nacional, fez sobre o que sugeria ser "exageros cometidos pelo governo no dossiê que avaliava os riscos apresentados pelo programa de armas do Iraque", para, segundo a reportagem, reforçar a posição pró-guerra. Além de Watts e Sambrook, também foi ouvido nesta quarta o repórter especial Gavin Hewitt. Adequada Sambrook disse que a reportagem de Andrew Gilligan sobre o dossiê seguiu um processo editorial adequado, mas admitiu que não foi certo dizer que a fonte era do serviço de inteligência. David Kelly trabalhava para o ministério da Defesa britânico. O diretor de jornalismo afirmou ainda que ficou surpreso quando o chefe da assessoria de comunicação do governo, Alastair Campbell, depôs em uma comissão parlamentar de inquérito atacando a BBC. Também foi ouvida no tribunal uma fita cassete com 17 minutos de conversa entre Watts e Kelly um dia depois de a reportagem sobre o dossiê ter sido veiculada no programa de rádio. Na conversa, o cientista se referiu a preocupações na comunidade científica de inteligência sobre aspectos do dossiê e sugeriu que a assessoria de imprensa do gabinete do primeiro-ministro foi parcialmente responsável pela inclusão no dossiê da informação de que o Iraque poderia disparar armas de destruição em massa em 45 minutos. "Eu acho que Alastair Campbell é sinônimo de assessoria de imprensa, porque é responsável por ela", afirmou o cientista na gravação. Hewitt disse em seu depoimento que ouviu do cientista que "uma certa propaganda" do governo foi incluída no dossiê e que havia desconforto na comunidade científica sobre o documento. Campbell, que ainda não depôs no inquérito, já negou duramente a afirmação da reportagem de Andrew Gilligan de que ele havia ordenado que o dossiê fosse "esquentado" antes da divulgação. Molde Susan Watts disse ter se sentido pressionada pela BBC a revelar as fontes de suas reportagens. Ela disse ainda que sentiu ter havido uma tentativa de moldar as reportagens dela com as de Andrew Gilligan. A jornalista afirmou que o objetivo parecia ser "o de confirmar as alegações feitas pela reportagem de Andrew Gilligan". Sambrook disse que isso não havia acontecido "de forma alguma". Segundo ele, "havia semelhanças entre as reportagens" e teria sido "uma irresponsabilidade" não tentar descobrir se elas tinham as mesmas fontes. |
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