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Sociólogo francês compara Roberto Marinho a Berlusconi
A morte do jornalista Roberto Marinho na quarta-feira, vítima de um edema pulmonar aos 98 anos, trouxe à tona mais uma vez a discussão sobre a influência que ele e as suas organizações Globo exercem no Brasil. Se o grau da influência de Roberto Marinho no Brasil é quase uma unanimidade entre especialistas, os benefícios dividiram os analistas entrevistados pela BBC Brasil. "Não acho que seja um acontecimento tão marcante. Sem ter a aspiração política do Silvio Berlusconi (primeiro-ministro italiano), ele deixa o Brasil mais próximo da Itália dele (Berlusconi), do que do modelo (de TV) da Grã-Bretanha. Isso, na minha opinião, seria muito mais proveitoso para o país", afirmou o professor Ignacy Sachs, da Escola de Ciências Sociais de Paris. Já para o professor Antônio Brasil, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que participou da produção do documentário Brazil: Beyond Citizen Kane (Brasil: Além do Cidadão Kane, em tradução livre), a morte de Marinho deixa um vácuo no país que não será preenchido. Leia também: 'Sabedoria' "Ele não deixou nenhum herdeiro à altura da sabedoria e do equilíbrio que teve em sua trajetória. Acima de qualquer coisa, ele foi um homem que sempre soube sobreviver acima do poder, um fator de equilíbrio", analisa Brasil. Antônio Brasil era o dono da produtora que deu o apoio à equipe do documentarista britânico Simon Hartog no filme que foi apresentado no Canal 4 britânico – inédito no Brasil – e que traça um perfil bastante crítico da influência da Rede Globo e conta que Hartog ficou impressionado com o poder que o jornalista tinha. "Ele tentou encontrar um equilíbrio na abordagem, mas a Globo não ajudou. Infelizmente, este acabou sendo o único documentário que temos sobre Roberto Marinho e continua inédito no Brasil", lamenta Brasil, que teme o desmembramento das empresas criadas por Marinho, como aconteceu com os Diários Associados depois da morte de seu mentor, Assis Chateaubriand. A inevitável comparação com Chateaubriand também é feita pelo francês Sachs. "Ambos tiveram um poder extraordinário sobre as cabeças dos brasileiros." Collor O professor Peter Flynn, da Universidade de Glasgow, na Escócia, especialista em política brasileira também destaca a influência do grupo da família Marinho.
"Uma vez, um político de muita influência no Brasil me disse que a Globo era o partido político mais importante no país, com mais influência. Claro que, por exemplo, que na eleição do Fernando Collor de Mello, a Globo teve uma impacto extraordinário", diz o analista. Para Flynn, no entanto, o Brasil mudou bastante e, hoje, a influência dos Marinho já não é tão forte. "A Globo, podemos dizer, tem uma vida própria. Já é uma rede bem formada e vai continuar sem a influência direta de Roberto Marinho", diz Flynn. O professor Sachs também concorda neste ponto. Para ele, as organizações Globo já não dependiam mais dele. "Ele foi substituído por seus três filhos que foram treinados desde a primeira idade para isso", diz o co-diretor do Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo, um dos departamentos da Escola de Altos Estudos de Paris. |
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