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Libéria: Conflitos e história da república mais antiga da África
O presidente Charles Taylor
O presidente Taylor disse que deixa o cargo em 11 de agosto

O grupo Liberianos Unidos para a Reconciliação e Democracia (Lurd) está no centro dos atuais conflitos na Libéria.

Antes baseados em Gana, ele já ocupa parte do país e tenta agora controlar a capital Monróvia, último reduto do presidente Charles Taylor.

O presidente também é acusado de ter envolvimento com grupos rebeldes em países vizinhos, principalmente em Serra Leoa, onde estaria lucrando com o apoio dado aos rebeldes que operavam nas áreas de produção de diamantes.

Em junho, Taylor foi condenado pelo Tribunal Especial para a Serra Leoa de crimes contra a humanidade por sua participação na guerra brutal que durou dez anos e terminou em 2002.

Sem recursos

Analistas afirmam que o fim do conflito em Serra Leoa – graças a uma grande operação internacional de paz – acabou com a fonte de recursos de Taylor.

Um outro grupo rebelde, o Movimento para a Democracia na Libéria (Model) formado recentemente, conseguiu ganhar controle de áreas estratégicas no sul e no leste do país – onde há exploração de madeira –, reduzindo ainda mais os recursos de Taylor.

Sem dinheiro para pagar grupos fiéis a ele, Taylor ficou cada vez mais isolado por sanções internacionais.

O Oeste da Ágrica
Estabilidade na Libéria beneficiaria toda a região

Críticos afirmam que a saída do presidente iria contribuir para a paz e a prosperidade da região, permitindo que a África Ocidental se concentrasse na tarefa de promover o desenvolvimento econômico.

Tradição

A Libéria é a república mais antiga do continente – foi fundada por escravos americanos libertados em 1822 – e tem enfrentado uma guerra civil intermitente nos últimos 20 anos.

Os confrontos começaram na década de 80, após anos de governos totalitários que oprimiam a oposição, com apoio dos Estados Unidos.

Em 1980, os partidos de oposição Reforma e Povo Unido exigiram a renúncia do então presidente R. Tolbert Jr.

O Exército liberiano se aliou à oposição, em um complô que culminou em um golpe que levou Samuel Doe ao poder. Doe cancelou a Constituição do país e desencadeou uma crise econômica.

Em 1989, a oposição se rebelou novamente, sob a liderança do atual presidente Charles Taylor e seu grupo Frente Patriótica Nacional da Libéria. Essa batalha durou até o fim de 1996.

Em 1997, ele foi eleito presidente, em eleições consideradas livres por observadores internacionais.

Desde então, Taylor tem sido acusado de manter um governo violento e ditatorial.

O presidente americano, George W. Bush, chegou a pedir publicamente a renúncia de Taylor e a dizer que a presença dele no comando do país é insustentável.

Taylor concordou em renunciar no dia 11 de agosto e aceitar o asilo oferecido pela Nigéria. Não está claro, porém, quando deixará a Libéria.

A estabilidade da Libéria não é apenas vital para os habitantes do país, mas também para os vizinhos Serra Leoa e Costa do Marfim, que sofreram com guerras civis recentemente.

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