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Atualizado às: 22 de julho, 2003 - 02h12 GMT (23h12 Brasília)
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Choques na capital liberiana matam pelo menos 90
Vítimas civis dos choques em Monróvia
Algumas vítimas civis dos ataques desta segunda-feira foram deixadas em frente à embaixada americana

Pelo menos 90 pessoas morreram nesta segunda-feira em um dia de intensos choques na capital da Libéria, Monróvia.

Sessenta pessoas teriam morrido só no bairro onde estão concentradas as embaixadas, que foi bombardeado com morteiros.

Os cadáveres de muitas vítimas foram empilhados do lado de fora da embaixada americana – num sinal de protesto contra a hesitação, por parte das autoridades de Washington, em enviar tropas de paz para o país.

O Pentágono anunciou que está deslocando 4,5 mil soldados, atualmente estacionados no Mar Vermelho, para a região do Mar Mediterrâneo, em preparação para o possível envio deles à Libéria.

Fé perdida

Os rebeldes, que visam afastar do poder o presidente Charles Taylor, negaram em uma entrevista à BBC que tenham sido responsáveis pelo bombardeio do bairro onde estão as embaixadas.

Os morteiros atingiram a região num momento em que as ruas estavam lotadas de pessoas, que estavam aproveitando uma trégua de 12 horas para ir em busca de água e suprimentos.

Segundo o correspondente da BBC em Monróvia Paul Welsh, os corpos mutilados de cerca de 20 vítimas fatais foram depositados em frente à embaixada americana.

Welsh disse ter conversado com algumas pessoas, que disseram ter perdido a fé nos Estados Unidos – um país com ligações históricas profundas com a Libéria e do qual os liberianos costumavam falar com apreço.

O correspondente disse que essas pessoas aparentavam estar revoltadas com o fato de os Estados Unidos não terem enviado tropas de paz para o país enquanto ainda vigorava a trégua.

Soldado morto do governo liberiano
Soldado do governo morto na recente ofensiva dos rebeldes em Monróvia

Cerca de 40 soldados americanos chegaram a Monróvia nesta segunda-feira, mas com o objetivo de apenas proteger a embaixada do país.

Annan e Bush

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, fez um apelo para que os Estados Unidos e os países do oeste da África enviem rapidamente tropas para a Libéria para tentar pôr um fim à violência.

Mas o presidente da Nigéria, Olusegum Obasanjo, disse que nenhum soldado da Comunidade Econômica dos Países do Oeste da África (Ecowas) será enviado à Libéria antes que seja anunciado um cessar-fogo.

Ministros dos países da Ecowas devem se reunir nesta terça-feira em Dacar, no Senegal, com representantes dos Estados Unidos e de países europeus para discutir a formação da força de paz.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deu a impressão nesta segunda-feira de que as autoridades americanas planejam apenas ajudar tropas de paz africanas a serem enviadas à Libéria, em vez de enviar ao país seus próprios soldados.

“Nós estamos trabalhando com a Ecowas para determinar quando eles estarão preparados para deslocar tropas de paz que, como já disse, nós estamos dispostos a ajudar a transportar para a Libéria”, disse Bush.

O aumento da violência em Monróvia, que há três dias vem sendo alvo de ataques dos rebeldes, fez com que a ONU decidisse retirar todos os seus funcionários da cidade.

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