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Atualizado às: 31 de julho, 2003 - 08h47 GMT (05h47 Brasília)
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Proposta dos EUA abre caminho para tropas na Libéria
A desnutrição de crianças piorou com o conflito
A falta de comida por causa do conflito penaliza a população

Os Estados Unidos apresentaram uma proposta de resolução à ONU (Organização das Nações Unidas) que abre o caminho para o envio de uma força internacional de paz à Libéria.

A proposta prevê o deslocamento imediato de tropas do Ecowas (grupo de países da África Ocidental) e de outros países, e a sua substituição, em outubro, por uma força de paz da ONU.

As primeiras tropas teriam mandato para usar a força a fim de conter os confrontos entre forças do governo e rebeldes.

Os resultados dessa primeira fase seriam apresentados ao Conselho de Segurança pelo secretário-geral da organização, no dia 15 de agosto. O contingente da ONU poderia então assumir o trabalho das tropas do Ecowas no dia 1 de outubro.

O texto também propõe que a ONU assuma parte dos custos que as tropas nigerianas terão na Libéria.

Os Estados Unidos estão mandando suas próprias tropas para a costa da Libéria, no Oceano Atlântico, mas elas não têm ordens para entrar no país.

Líderes da África Ocidental devem se reunir nesta quinta-feira em Gana para discutir o deslocamento de suas tropas para a Libéria.

O Ecowas já havia concordado com o envio da força no início deste mês, mas os contínuos confrontos e a disputa sobre quem financiaria a operação acabaram adiando o envio.

Segundo Kofi Annan, os países do Oeste da África estão dispostos a enviar tropas, mas precisavam de ajuda financeira e logística.

Uma equipe de investigação militar está na Libéria, com o objetivo de preparar o caminho para a força de paz.

Sem trégua

As forças do presidente Charles Taylor e os rebeldes do Lurd (Liberianos Unidos para a Reconciliação e Democracia) voltaram a entrar em confronto desde que um cessar-fogo fracassou, há duas semanas.

Na terça-feira, os rebeldes ofereceram uma trégua ao governo, com a condição de que eles pudessem ficar lá até a chegada de forças internacionais.

Mas o governo – que exige que os rebeldes abandonem o cerco à cidade – rejeitou a proposta e a capital, Monróvia, continou a ser palco de intensas batalhas.

Os rebeldes dizem que os civis locais estão implorando para que eles não se retirem de Monróvia para protegê-los contra os soldados do governo liberiano.

Uma manifestação pedindo que os rebeldes permanecessem na capital foi organizada por um grupo chamado Cidadãos Preocupados, que diz temer assassinatos, saques e estupros por parte das tropas governamentais.

O correspondente da BBC em Monróvia, Paul Welsh, disse que as condições na capital são "péssimas", com mais crianças ficando desnutridas enquanto o estoque de alimentos e água potável se torna perigosamente limitado.

Os rebeldes têm o controle dos estoques de comida da capital, na área portuária de Monróvia, e estão sendo acusados pelo governo de saquear os mantimentos.

As forças rebeldes se defendem dizendo que estão apenas dando comida aos famintos.

Outro grupo rebelde capturou a segunda cidade do país, Buchanan, no início da semana, cortando a última rota que havia sobrado para o transporte de comida a áreas da capital controladas pelo governo.

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