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Atualizado às: 29 de julho, 2003 - 18h04 GMT (15h04 Brasília)
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Rebeldes liberianos anunciam cessar-fogo unilateral
Rebelde liberiano
Rebeldes dominaram segunda maior cidade da Libéria

O principal grupo rebelde da Libéria anunciou nesta terça-feira ter declarado um cessar-fogo unilateral, mas os disparos de morteiros ainda eram ouvidos na capital, Monróvia. Declarações anteriores semelhantes não foram capazes de interromper o conflito no país.

O chefe da União Liberiana de Reconciliação e Democracia (Lurd, o principal grupo rebelde) disse a delegados em negociações de paz que os rebeldes sairiam da área do porto da capital para permitir a entrada de forças de paz.

No entanto, as forças do governo da Libéria disseram ter lançado um contra-ataque depois que a segunda maior cidade do país foi tomada pelos rebeldes.

O ministro da Defesa da Libéria, Daniel Chea, disse à BBC que havia luta nas ruas de Buchanan, pois o Exército estava tentando impedir que os rebeldes levassem suprimentos para a cidade.

Sem acesso

O porto de Buchanan está sob controle do Movimento Democrático na Libéria (Model), a segunda maior força rebelde em atuação no país

A perda do controle do porto de Buchanan significa, para o governo, perder o acesso ao litoral. Outros grupos rebeldes estão controlando o porto da capital liberiana, Monróvia.

Agência internacionais de ajuda alertam que com isso vai ficar difícil obter suprimentos para os milhares de refugiados na Libéria.

"Buchanan era a única alternativa para transportar alimentos para a Libéria. Agora, pode esquecer isso", disse Frederic Bardou em um centro de alimentação dirigido pela Action Contre la Faim (Ação Contra a Fome), em Monróvia.

Enquanto o Model controla Buchanan, a Lurd comanda Gbarnga, cidade no oeste do país que foi a base do presidente Charles Taylor durante a guerra civil dos anos 1990.

Ajuda

Autoridades da África Ocidental dizem ser improvável que as forças regionais de paz possam ser enviadas imediatamente.

Segundo autoridades da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês), os combates impedem até mesmo o despacho de uma missão de reconhecimento à área.

Cerca de 1,3 mil soldados da Nigéria estão de prontidão, aguardando transferência para a Libéria.

No entanto, o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, disse que seu país precisa de mais ajuda externa para enfrentar os custos logísticos e financeiros de liderar a operação.

Saques

O porta-voz da Lurd, Joe Wylie, pediu que o presidente Charles Taylor renuncie para evitar perdas desnecessárias de vida.

"Ele está ficando cada vez mais fraco. Ele não deveria nos enfrentar em um choque militar final que só custaria vidas", disse Wylie.

A luta está causando problemas desesperadores para a população civil no país.

Milhares de liberianos fugiram para Buchanan para escapar da luta em Monróvia, onde centenas já morreram e milhares foram feridos no ataque de rebeldes que dura 11 dias.

Moradores de Buchanan dizem que muitos tiroteios ocorreram durante a noite, quando foram registrados diversos saques.

Segundo Paul Welsh, correspondente da BBC em Monróvia, as batalhas são quase invariavelmente seguidas por roubos.

Alerta de Annan

Os rebeldes tentam derrubar o presidente Taylor, acusado de crimes de guerra por um tribunal da ONU em Serra Leoa.

Taylor aceitou renunciar e se asilar na Nigéria se as forças de paz chegarem à Libéria.

A Ecowas quer que as forças de paz sejam lideradas por tropas dos Estados Unidos, e três navios de guerra americanos estão se dirigindo à costa liberiana.

No entanto, o presidente americano, George W. Bush, disse que as tropas não vão entrar no país até que seja decretado um cessar-fogo.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, alertou os rebeldes para o fato de que eles estão se desqualificando para um papel no futuro político do país ao insistir na ofensiva militar.

Os rebeldes rejeitaram um pedido dos Estados Unidos para que os dois lados respeitassem um cessar-fogo e para que os rebeldes se retirassem do rio Po, a 12 quilômetros do centro de Monróvia.

Água e alimentos estão ficando escassos para os moradores da capital, que foi invadida por cerca de 250 mil refugiados.

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