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Atualizado às: 25 de julho, 2003 - 05h57 GMT (02h57 Brasília)
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ONU reclama de demora na ajuda à Libéria
Liberianos em Monróvia
Monróvia, a capital do país, está ficando sem água potável

O representante especial da ONU para a Libéria, Jacques Klein, reclamou nesta quinta-feira da demora da comunidade internacional em enviar uma força de paz ao país.

Klein falou depois de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU, nesta quinta-feira, em que foi discutida a situação do país africano, em que rebeldes lutam para tomar a capital, Monróvia.

“Em princípio, estamos precisando ter uma força de paz com dez ou 15 mil (soldados). Mas precisamos começar de algum lugar. Fazendo nada, não se faz nada”, disse ele.

“Eu preciso de um batalhão amanhã de manhã e um segundo batalhão em dois dias, e depois provavelmente mais. Mas, neste exato momento, nós não temos nada. Por isso eu ficaria feliz se tivéssemos ao menos um batalhão (na Libéria), para, pelo menos, mostrar que há partes sérias e interessadas em se envolver e levar isso a sério.”

Frustração

Durante toda a quinta-feira, diplomatas na sede da ONU esperaram por notícias sobre os resultados de uma reunião que estava sendo realizada em Serra Leoa, em que foi discutido quando os dois batalhões prometidos pela Nigéria para envio à Libéria começariam a ser mobilizados.

Mas nenhum avanço foi anunciado depois da reunião em Serra Leoa – o que significa que, pelo menos nos próximos dias, não haverá envio de tropas de paz à Libéria.

Além de Klein, o subsecretário da ONU Olaru Otunnu, que havia acabado de chegar do oeste da África, também deixou clara sua frustração.

“É muito frustrante que uma tragédia dessa magnitude se descortine perante nossos olhos e que, com todos os meios à nossa disposição em nível internacional, não fomos capazes de agir mais rapidamente e resgatar a população liberiana, que está num estado de desespero, em uma situação horrível”.

Cólera

Na capital liberiana, Monróvia, os suprimentos de água potável acabaram em várias bairros – aumentando o temor de que doenças como a cólera se espalhem rapidamente, caso a população passe a consumir água contaminada.

O fornecimento de água foi cortado quando uma estação de distribuição foi atacada, há cinco dias, e a maioria das caixas d’água está vazia.

A luta dos rebeldes do país para conquistar a capital entrou no seu sexto dia nesta sexta-feira. Os rebeldes controlam parte da zona portuária, mas as tropas do governo controlam uma ponte considerada estratégica.

Funcionários de agências de ajuda humanitária disseram que a violência na cidade tem impedido que eles ajudem milhares de liberianos que estão buscando abrigo em igrejas, escolas e abrigos temporários.

Uma ONG informou que, só nesta quinta-feira, enterrou os corpos de 54 pessoas mortas nos choques no país.

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