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Combate por controle de capital da Libéria mata mais de 600
Pelo quarto dia consecutivo, o combate entre forças rebeldes e o governo continua na capital da Libéria, Monróvia, numa situação que agentes humanitários classificam como "cada vez mais desesperadora". Pelo menos 90 pessoas morreram só na segunda-feira. Os mortos dos últimos quatro dias já passam de 600. Aproximadamente 250 mil pessoas que perderam suas casas não têm como se esconder dos bombardeios e tiroteios. Segundo a agências humanitárias, quem não morrer na guerra ainda é ameaçado pelo cólera. Enquanto o sistema de água da cidade não é reparado, os moradores bebem água contaminada. Suprimentos de arroz e óleo diesel também estão no fim e o porto da cidade, agora nas mãos de rebeldes, está fechado. Batalhas Esta é a terceira batalha pela capital do país em dois meses. Países do Oeste Africano estão se reunindo em Dakar, capital do Senegal, para discutir o envio de uma força de paz pedida pelo governo liberiano. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu urgência a esses países e também aos Estados Unidos para que tomem ações decisivas para estancar o banho de sangue que ocorre na país. Só no bairro onde estão concentradas as embaixadas, que foi bombardeado com morteiros, 60 pessoas morreram. Os cadáveres de muitas vítimas foram empilhados do lado de fora da embaixada americana num sinal de protesto contra a hesitação, por parte das autoridades de Washington, em enviar tropas de paz para o país. O Pentágono anunciou que está deslocando 4,5 mil soldados, atualmente estacionados no Mar Vermelho, para a região do Mar Mediterrâneo, em preparação para o possível envio deles à Libéria. Fé perdida Os rebeldes, que tentam afastar do poder o presidente Charles Taylor, negaram em uma entrevista à BBC que tenham sido responsáveis pelo bombardeio do bairro onde estão as embaixadas. Os morteiros atingiram a região num momento em que as ruas estavam lotadas de pessoas, que estavam aproveitando uma trégua de 12 horas para ir em busca de água e suprimentos. Segundo o correspondente da BBC em Monróvia Paul Welsh, os corpos mutilados de cerca de 20 vítimas fatais foram depositados em frente à embaixada americana. Welsh disse ter conversado com algumas pessoas, que afirmaram ter perdido a fé nos Estados Unidos um país com ligações históricas profundas com a Libéria e do qual os liberianos costumavam falar com apreço. O correspondente disse que essas pessoas aparentavam estar revoltadas com o fato de os Estados Unidos não terem enviado tropas de paz para o país enquanto ainda vigorava a trégua.
Cerca de 40 soldados americanos chegaram a Monróvia nesta segunda-feira, mas com o objetivo de apenas proteger a embaixada do país. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deu a impressão nesta segunda-feira de que as autoridades americanas planejam apenas ajudar tropas de paz africanas a serem enviadas à Libéria, em vez de enviar ao país seus soldados. "Nós estamos trabalhando com os países africanos para determinar quando eles estarão preparados para deslocar tropas de paz que, como já disse, estamos dispostos a ajudar a transportar para a Libéria", disse Bush. |
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