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Kofi Annan deve pedir 'devolução rápida' do Iraque
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, deve pedir que as forças de ocupação lideradas pelos Estados Unidos transfiram rapidamente o controle do Iraque ao povo iraquiano. A recomendação está em um relatório que deve ser apresentado ao Conselho de Segurança na semana que vem. A BBC recebeu uma cópia de antemão. O relatório diz que há uma necessidade grande de o povo iraquiano receber um cronograma claro com uma seqüência de eventos que levem ao fim da ocupação militar. Altos conselheiros do Pentágono alertaram que os Estados Unidos estão correndo contra o tempo para estabelecer a lei e ordem no Iraque, onde outro soldado americano foi morto nesta sexta-feira. Falluja O soldado morreu quando seu veículo foi atingido por uma bomba perto da cidade de Falluja, 50 km a oeste de Bagdá. Ele foi o 34º soldado americano a morrer no Iraque desde que o governo Bush declarou oficialmente o fim da guerra, em maio. Com isso, o total de militares dos Estados Unidos mortos no Iraque desde o início da ofensiva chega a 148 - superando o total da Guerra do Golfo, de 1991. O último ataque veio depois que oficiais de inteligência dos Estados Unidos disseram que uma fita veiculada numa televisão árabe na terça-feira com a voz de Saddam Hussein é provavelmente autêntica. Oficiais da CIA (Central de Inteligência Americana) em Washington disseram que a pobre qualidade da gravação impediu que peritos dessem absoluta certeza sobre sua autenticidade. Mas referências a eventos recentes sugerem que a gravação é verdadeira. O relatório de Annan - que foi escrito com colaboração direta do representante da ONU no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello - diz que a democracia não deveria ser imposta no país de fora para dentro. Segurança
Em outro sinal de descontentamento, centenas de iraquianos participaram de protestos contra o novo conselho de governo do país, que se encontrou pela primeira vez nesta semana. Os protestos vieram depois das orações de sexta-feira nas mesquitas iraquianas, em que clérigos sunitas e xiitas criticaram duramente o conselho apontado pelos Estados Unidos, dizendo que ele não representa o povo iraquiano. O vice-secretário de Segurança americano, Paul Wolfowitz, iniciou uma viagem de cinco dias ao Iraque, em que deve agradecer as tropas americanas e ver por ele mesmo o que significava, em suas palavras, a "liberação" para o povo iraquiano. A visita de Wolfowitz coincide com a divulgação, pelo Pentágono, de um relatório que avalia os esforços de reconstrução do Iraque. No documento, o Pentágono pede para que o governo americano amplie os esforços de reconstrução, dedicando mais dinheiro e pessoal a esse trabalho e assegurando o envolvimento de outros países das Nações Unidas. Meses cruciais "Os próximos três meses serão cruciais para mudar o estado de segurança, que é volátil em regiões-chave do país", disse o Pentágono, acrescentando que os Estados Unidos devem estar prontos para ajudar o Iraque por anos a fio. As forças militares americanas declararam nesta sexta-feira que detiveram 62 ex-líderes do regime em sua última operação destinada a eliminar a resistência armada iraquiana. A operação "Soda Mountain", a quarta desse tipo, resultou na captura de 4,2 mil morteiros, 1,3 mil granadas e outras 635 armas. A maioria dos ataques contra as tropas americanas ocorreram em uma área ao norte de Bagdá, considerada um reduto sunita e onde moram partidários de Saddam Hussein. |
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