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Atualizado em: 15 de julho, 2003 - 14h07 GMT (11h07 Brasília)
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Lula faz apelo por investimentos espanhóis no Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
Lula deixou boa impressão entre os espanhóis e até falou 'portunhol'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou nesta terça-feira uma platéia de empresários espanhóis a investir mais no Brasil - "um bom negócio para a Espanha", de acordo com Lula.

Em discurso no Encontro Empresarial Espanha-Brasil, que reuniu em Madri 60 das principais empresas brasileiras e espanholas que têm acordos bilaterais, o presidente disse que a Espanha tem muito a ganhar com os acordos com o Mercosul e a União Européia.

"Os empresários que apostam no Brasil vão ter resultado. A Espanha (segundo maior parceiro comercial do Brasil, depois dos Estados Unidos) é um país parceiro e este encontro empresarial é parte de um esforço de aproximação", afirmou Lula.

Simpático, o presidente chegou a ensaiar um portunhol ao fechar sua participação com as palavras: "Está encerrada la sessão".

Boa repercussão

Aplaudido de pé, Lula deixou uma boa impressão entre os empresários.

"Lula tem um carisma que atrai muita gente", disse um empresário, destacando a sua confiança no governo brasileiro.

Lula e José Maria Cuevas
Cuevas destacou importância da relação Brasil-Espanha

Outros lembraram que continuam apostando no Brasil, mas que ainda há preocupação com a forma com que serão feitas as reformas sociais no Brasil.

O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, José Maria Cuevas, abriu o encontro destacando a importância de um relacionamento comercial cada vez maior com o Brasil.

"É necessário aumentar os nossos intercâmbios comerciais que, mesmo tendo crescido de forma substancial, apenas representam 2% do comércio exterior brasileiro", disse Cuevas.

Longo prazo

O espanhol disse ainda que o processo de crescimento das empresas espanholas no Brasil é um compromisso a longo prazo.

"(É) uma vontade firme de integrar-se na realidade econômica e social brasileira, que já se converteu em um fator de crescimento da nossa própria economia", completou.

Durante o encontro, Lula também voltou a criticar as atuais regras no comércio internacional.

"Defendo regras mais justas. Não podemos desperdiçar as oportunidades, estamos fazendo grandes esforços para fortalecer o Mercosul e trazer desenvolvimento social e crescimento econômico para os nossos povos", disse Lula, que insistiu muito no tema justiça social.

"Países ricos fazem suas próprias leis, que atrapalham o desenvolvimento dos países mais pobres", criticou o presidente, sem nomear algum país específico.

Campanha

Lula disse ainda ter consciência de que o mercado reagiu muito mal durante a sua campanha à Presidência por desconfiar que o governo PT poderia descumprir os compromissos internacionais.

No entanto, o presidente ressaltou que o seu governo está sendo marcado por uma política austera e – para reforçar essa afirmação – lembrou que o governo antecipou duas mudanças que só deveriam acontecer no segundo semestre: as reformas da Previdência e tributária, que foram fechadas no dia 30 de abril.

"Os 27 governadores de Estado do meu país, acatando o chamamento da Presidência, assinaram um acordo unânime pela primeira vez no Brasil, afirmando que a reforma não era só do interesse do governo, mas de todo o país."

"Vamos votar a reforma neste ano e, se Deus quiser, estamos dando um passo decisivo para o crescimento do Brasil", concluiu Lula.

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