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Nos EUA, cresce oposição à política externa de Bush
Quase três meses depois da derrubada do regime de Saddam Hussein, o presidente americano, George W. Bush, enfrenta uma discreta, mas crescente oposição à sua política externa junto à opinião pública americana. A perda quase diária de soldados americanos, a desordem no Iraque e o fato de os Estados Unidos não terem encontrado até agora armas de destruição em massa são as principais justificativas para a crescente reprovação ao governo e a Bush. "Eu gostaria que eles tivessem planejado melhor o que fazer depois que a guerra acabasse, isso teria trazido melhores resultados na reconstrução do Iraque", diz a funcionária pública Nathalie Hauptman. "Eles não pensaram o que fazer depois da guerra, e é por isso que nós estamos vendo todos esses problemas." "Antes e durante a guerra, a maioria do povo americano estava engajada ao lado do presidente", diz Sharyn O'Halloran, professora de ciência política da Universidade de Columbia. "Até agora, a maioria continua apoiando a guerra, mas se as baixas americanas crescerem a um nível crítico, veremos uma séria oposição ao presidente." Média presidencial De acordo com uma pesquisa de opinião publicada nesta semana pelo Instituto Gallup, 61% dos americanos aprovam o presidente Bush, enquanto 36% o desaprovam. O número dos que desaprovam Bush é o mais alto desde o início do conflito no Iraque. Entretanto, a popularidade de Bush se mantém na média dos dez últimos presidentes da história americana durante a mesma época do mandato. A nota de Bush também está bastante acima de sua própria popularidade na primeira semana de setembro de 2001, antes dos ataques a Nova York e Washington. Na época, Bush gozava da aprovação de 51% dos americanos. De acordo com o Gallup, o Iraque e o mau desempenho da economia americana são responsáveis pela queda na popularidade presidencial. "Existem sinais de que o povo americano está se tornando mais preocupado com a situação no Iraque", diz Frank Newport, editor-chefe do Gallup. "Ao mesmo tempo, ainda existe uma maioria dos americanos, 56%, que dizem que a guerra valeu a pena." Eleição à vista Candidato à reeleição pelo Partido Republicano, o principal trunfo de Bush é a imagem de líder confiável e destemido para lidar com questões de segurança nacional. Esta agenda agrada ao eleitorado com o perfil conservador. Por outro lado, entre os eleitores mais liberais, o nome do democrata Howard Dean, ex-governador do Estado de Vermont, desponta como uma opção do eleitorado mais jovem. Dean, que já angariou mais de US$ 4 milhões em comícios e pela internet - um recorde entre seus correligionários - tem feito do discurso antiguerra um dos pontos altos de sua plataforma. "É muito cedo para saber quem será o candidato democrata", diz Newport. "Ele só será escolhido no começo do ano que vem. De qualquer maneira, em termos de popularidade entre os membros do Partido Democrata incumbidos de escolher o candidato à presidência, Dean ainda não subiu. Os grandes favoritos continuam sendo Joe Liebermann, John Kerry e Dick Gephardt." Questões Newport e O'Halloran concordam que o desempenho econômico do país às vésperas da eleição presidencial deve dominar o debate político em 2004. "A economia e principalmente a questão do emprego é que vão capitalizar a atenção do público", diz Frank Newport, editor-chefe do Gallup. "A questão da política externa é secundária, e só se tornará preponderante se houver alguma reviravolta, como a descoberta de armas no Iraque, ou alguma coisa que leve a maioria do público a concluir que o governo cometeu um grave erro em ir à guerra contra Saddam Hussein", afirma a professora da Columbia. |
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