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Atualizado em: 11 de julho, 2003 - 18h51 GMT (15h51 Brasília)
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Lula entra em cena no palco que já foi de FHC
Lula e o primeiro-ministro de Portugal, Durão Barroso
Antes de Londres, Lula encontrou premiê Durão Barroso em Portugal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai participar neste fim de semana de uma reunião, em Londres, do grupo que já teve Fernando Henrique Cardoso como um dos mais entusiasmados integrantes, e que agora busca uma nova definição para a Terceira Via, que andou em voga nos anos 1990.

A Cúpula da Governança Progressiva prega a busca de uma alternativa que una as vantagens competitivas da economia de mercado vigente nos Estados Unidos à segurança do Estado do bem-estar social europeu – uma plataforma comumente associada aos reformados partidos de centro-esquerda depois da derrocada do comunismo.

No entanto, o anfitrião do encontro deste ano, o premiê britânico, Tony Blair, já alertou que o que os governos de centro-esquerda devem procurar é uma forma de enfrentar os desafios da globalização sem parecer que se opõem a ela.

"Há um risco, especialmente entre a esquerda européia, de que nós terminemos nos definindo em termos econômicos como antiglobalizantes, e em política externa com um teor antiamericano", disse Blair nesta sexta-feira, na abertura da conferência que antecede a reunião de cúpula. "Ambos são um beco sem saída."

Desfalques

O encontro deste ano deve abordar temas como imigração, terrorismo, crime e o desaquecimento da economia global.

Quem vai à cúpula
Luiz Inácio Lula da Silva, Brasil
Tony Blair, Grã-Bretanha
Gerhard Schröder, Alemanha
Thabo Mbeki, África do Sul
Néstor Kirchner, Argentina
Ricardo Lagos, Chile
Jean Chrétien, Canadá
Vladimir Spidla, República Checa
Leszek Miller, Polônia
Meles Zenawi, Etiópia
Helen Clark, Nova Zelândia
Bill Clinton, ex-presidente dos EUA

A escalação dos líderes presentes ao encontro deste fim de semana, porém, fica muito atrás das cúpulas realizadas nos anos 1990.

As grandes ausências são as do chefes de governo de Estados Unidos, França e Itália, países onde líderes identificados com a Terceira Via foram repelidos pelos eleitores em anos recentes.

O próprio Tony Blair, anfitrião do encontro e o homem que consolidou a expressão Terceira Via no vocabulário político internacional, hoje pouco toca neste assunto – os serviços públicos britânicos são alvos de freqüentes críticas e, em política externa, seu governo tem se alinhado com a administração republicana do presidente americano, George W. Bush.

Outro peso-pesado do encontro, o chanceler alemão Gerhard Schröder, tem encontrado muitas dificuldades para reanimar a economia de seu país e chega desgastado a Londres.

Novo rumo

Essa lacuna abre a possibilidade para que Lula entre em cena no palco em que FHC desfilou com tanta desenvoltura até o ano passado.

Observadores de todo o mundo acompanham o passo-a-passo de um presidente de inegáveis credenciais de esquerda que, em seus primeiros meses de governo, tem procurado fazer as pazes com o mercado ao mesmo tempo em que, pelo menos na retórica, não abandona a preocupação com as questões sociais.

Para o economista John Williamson, um influente analista das economias latino-americanas que trabalha no Instituto de Economia Internacional de Washington, o sucesso – ou fracasso – do governo Lula pode definir para onde vão os países do subcontinente.

"Se ele tiver sucesso, vai mostrar um rumo bem diferente para a esquerda latino-americana", afirmou Williamson.

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