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Lula pede ajuda a pobres e critica militarismo
Laços históricos, lingüísticos, culturais e sentimentais, além de interesses comerciais e de intenções de expansão na área de negócios bilaterais, marcaram o primeiro dia da visita oficial do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a Portugal. Com uma comitiva de quatro ministros de Estado e dois governadores (Alagoas e Paraíba), o presidente reafirmou os principais pontos do que tem sido sua política externa nos primeiros seis meses de governo em quatro discursos, ao longo do dia. O presidente brasileiro fez críticas à resposta militarista ao terrorismo e ao narcotráfico, disse que sabe da importancia do Brasil no mundo, repetiu sua crença de que é preciso que os países ricos dêem oportunidades de crescimento para os países pobres e ressaltou a necessidade de ampliar a cooperação comercial, cultural e econômica entre os dois países. O primeiro dia da visita, que termina no sábado, teve momentos sentimentais, como a entrega do premio Camões ao escritor brasileiro Rubem Fonseca, representado pela filha, Maria Beatriz Fonseca; solenes, como as boas vindas do presidente Jorge Sampaio a Lula na Torre de Belém, de onde partiram as caravelas de Pedro Álvares Cabral; e até uma gafe, cometida pelo presidente da Assembléia Legislativa, João Bosco Motta Amaral. Gafe "Olhamos o Brasil com orgulho, afirmando nele uma paternidade que só parcialmente é verdadeira. E, de algum modo, nisso projetamos uma certa frustração histórica, porque bem desejaríamos que o Brasil fosse, em si, Portugal em Ponto Grande" (um grande Portugal), disse Amaral, para uma platéia de deputados visivelmente constrangida. Lula retrucou em seu discurso, que na época da Revolução dos Cravos, queria que o Brasil, "como na música de Chico Buarque, se tornasse um imenso Portugal". Nesta sexta-feira, além do acordo que pode regularizar os 15 mil brasileiros que vivem ilegalmente em Portugal e de mais dois outros relacionados a artistas e outros profissionais que trabalham nos dois países, a ênfase será a ampliaçao de investimentos bilaterais. Os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e da Cultura, Gilberto Gil, vão anunciar a criação de uma Casa de Cultura e Negócios brasileira em Lisboa. "Faremos uma parceria para ter uma casa permanente aqui em Portugal, com cultura, música e negócios", disse Furlan, acrescentando que a próxima casa brasileira de cultura pode ser em Cingapura, na Ásia. No âmbito das negociações comerciais, o presidente voltou a demonstrar a velha ambição brasileira de usar Portugal como uma porta de entrada para o mercado europeu, como "porta-voz de nossos anseios e aspirações nas negociações em curso entre o Mercosul e a União Européia". O Brasil espera poder contar com Portugal como aliado nas negociações entre o Mercosul e a União Européia para a formação de um mercado comum entre os dois blocos. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Portugal pode ajudar o Mercosul nas negociaçoes de acesso ao mercado europeu. Nesta sexta-feira, o primeiro compromisso do presidente brasileiro será a abertura do seminário empresarial Brasil-Portugal, com empresários dos dois países. Convidados A importância maior que o Brasil quer dar à África também ficou patente na visita. Embaixadores de Angola, Cabo Verde e Moçambique foram convidados para a solenidade da manhã e Gilberto Gil fez questão de ressaltar a "energização" que o Brasil pretende dar à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, presidida pelo Brasil. |
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