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Atualizado às: 13 de junho, 2003 - 13h38 GMT (10h38 Brasília)
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Divisão marca data de 'unificação' de Jerusalém

Foto: Efrat Tordjman
Cidade está no centro do conflito entre israelenses e palestinos
Trinta e seis anos depois da ocupação de Jerusalém Oriental pelas tropas israelenses e da chamada unificação da cidade, Jerusalém parece mais dividida do que nunca.

A maioria dos israelenses tem medo de visitar a parte oriental da cidade, em vista da violência constante, principalmente após o início da Intifada palestina, em setembro de 2000.

As autoridades israelenses proíbem o acesso de palestinos da Cisjordânia a Jerusalém. A insegurança também afastou turistas e peregrinos, que praticamente desapareceram nos últimos dois anos e meio, desde que se agravou a violência.

Jerusalém está no centro do conflito: o controle sobre a cidade foi um dos principais obstáculos a acordos anteriores e é considerado um dos pontos mais delicados do novo plano de paz, que prevê uma solução negociada para o status da cidade.

Coração do conflito

A posição oficial do governo israelense é de que Jerusalém unificada é a capital exclusiva de Israel. Os palestinos querem fundar a capital da Palestina na parte oriental da cidade.

E se Jerusalém está no centro do conflito, a Cidade Velha é o coração da disputa pelo controle da cidade - onde as diferenças são mais agudas.

Dentro das muralhas milenares que abrigam os lugares sagrados para as três religiões monoteístas, encontra-se um dos pedaços de terra mais disputados do mundo.

Em uma área mínima, de somente um quilômetro quadrado, estão a Mesquita de Al-Aqsa, o Muro das Lamentações e a Igreja do Santo Sepulcro.

A Cidade Velha tem um som especial, que provavelmente não se ouve em nenhum outro lugar do mundo: é a mistura dos chamados dos cantores das mesquitas, com o badalar dos sinos das igrejas e as sirenes dos carros de polícia.

Economia

Assim como as ruelas da Cidade Velha estão vazias, a economia do local está completamente parada.

"Há dias em que não ganho um tostão. Não há turistas, nem peregrinos. Tudo está parado. A tensão aqui é muito grande", queixa-se Bilal, dono de uma loja de souvenires no mercado do bairro muçulmano.

Foto: Efrat Tordjman
Câmeras de vigilância controlam todos os passos na cidade

"Desde o início da Intifada, os turistas e peregrinos têm medo de vir à Cidade Santa. Entre os 150 quartos que temos, hoje somente sete estão ocupados. A paz e a estabilidade são essenciais para que os turistas retornem a Jerusalém", conta Shukri, diretor do hotel Glória.

Os poucos transeuntes nas ruas são palestinos locais ou colonos israelenses que moram dentro da Cidade Velha. A maioria dos colonos mora no bairro judaico, que fica perto do Muro das Lamentações.

"A questão de Jerusalém é tão complicada que nenhum ser humano poderá resolver. Só Deus pode resolver o problema da Cidade Santa. Nem Sharon, nem Bush, nem Abu Mazen, nem as Nações Unidas", diz Efraim Holtzberg, que já mora há 22 anos no local.

Diante dos apelos a uma convivência pacífica entre os dois povos em Jerusalém, Holtzberg afirma que "um carro não pode ter dois motoristas".

Segurança

Para proteger os israelenses dentro da Cidade Velha, a polícia de Jerusalém montou um forte esquema de segurança.

Dezenas de câmeras de vídeo em circuito fechado foram instaladas em todos os pontos estratégicos da cidade. O equipamento funciona 24 horas por dia e controla tudo o que ocorre dentro das muralhas.

Na Igreja de Notre Dame, que fica em frente às muralhas, o padre Pierre Grech, secretário da Conferência dos Bispos da Terra Santa, diz que ainda acredita em um acordo.

"Jerusalém tem uma missão na humanidade: ela deve ser a cidade da paz, aberta para todos os seres humanos. Para isso, deve haver um acordo político, e a cidade tem que se tornar a capital dos dois povos", afirma Grech.

"Os lugares santos devem obter garantias internacionais para que permaneçam sempre abertos, para todas as pessoas, de todas as religiões e nações", acrescenta o padre.

Processo de paz

No novo plano proposto pelo presidente americano, George W. Bush, a questão de Jerusalém deve ser negociada em uma etapa mais avançada do processo de paz.

De acordo com a proposta, o assunto só deve ser discutido depois que pelo menos um cessar-fogo tiver sido alcançado.

Nas circunstâncias atuais, a sensação em Jerusalém é de que ainda vai demorar algum tempo para que essas negociações possam começar.

Enquanto não houver um avanço significativo no processo de paz, as ruelas da Cidade Velha provavelmente vão permanecer vazias.

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