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Da memória
Semana passada, um memorizador profissional, Andi Bell, foi ao Museu Britânico e, diante de observadores imparciais, memorizou 100 baralhos devidamente embaralhados por crupiês profissionais. Nas próximas cinco horas, o memorizador examinou uma seqüência de 5,2 mil cartas e, a seguir, disse corretamente a posição de cada uma delas. Andi Bell já detinha o recorde mundial pela memorização das 52 cartas de um baralho em 34 segundos. Nada ganhou pela proeza a não ser fama em círculos restritos. Esse é um exemplo de que, quando se quer, uma pessoa é capaz de se lembrar das coisas. Nós, seres humanos comuns, não fazemos outra coisa a não ser esquecer. O mês passado, por exemplo, para ficar na analogia com o memorizador britânico, é carta fora do baralho. Graças à nossa péssima memória é que os homens públicos continuam como direi? públicos. Tentemos nos lembrar da guerra contra o Iraque. Até agora ninguém sabe direito o que lá se passou. Nem por que se foi bombardear, invadir e ocupar o país onde, no Baralho do Mal inventado pelos americanos, o cruel ás de ouros, Saddam Hussein, ditava olha as cartas de novo as cartas. Dá para se dizer que uns 43% das pessoas não comentam mais ou se lembram das armas de destruição em massa. Daí ficam chocadíssimas quando morre de tiro ou granada quase que um soldado americano por dia. Os seis soldados da polícia militar britânica foram "assassinados", conforme mais de um veículo noticiou. Os inquéritos não chegaram a qualquer conclusão. Aí entra a memória. Ou botar as cartas na mesa. Foram 12 anos de bombardeios no norte e no sul do Iraque, nas chamadas zonas de exclusão aérea. Foram 12 anos de sanções brutais. Foram iraquianos e iraquianas de todas as idades morrendo. Foram a guerra, a invasão e a ocupação. Foram mais mortos. É possível que os serviços de inteligência aliados achassem mesmo que as forças armadas iriam encontrar no país gente doida de gratidão por ter sido liberada de uma ditadura brutal? Que o povão iraquiano iria se fechar em copas ou ficar paradão como um dois de paus? Os iraquianos vão levar algum tempo para esquecer e, como nós no Ocidente, deixar para lá. Podem não decorar um baralho inteiro, mas sabem distinguir um sete de espadas de um valete de ouros. |
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