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Gol Contra
Ivan Lessa, por Baptistão

Conquistar corações e vencer mentes é uma coisa, perder de 12 a 0 outra.

Os americanos precisam de um bom técnico. Não precisa ser Scolari, nem mesmo Carlos Alberto Parreira. Eles precisam de alguém que explique a bobagem que é ir jogar futebol com os iraquianos e perder por 12 a 0.

A goleada foi na noite de terça-feira e a equipe que defendeu as cores norte-americanas era constituída de soldados americanos, enquanto que os adversários iraquianos eram profissionais, até há pouco sujeitos aos caprichos do filho mais velho de Saddam Hussein, Uday, que, quando discordava da atuação de um craque, mandava-o não para os chuveiros, mas sim para a câmara de torturas, onde era surrado com varas nos pés, um treino dos mais rigorosos além de proibido pela Fifa.

Os americanos deveriam ter escolhido outra prática esportiva, mais a seu gosto do que dos iraquianos.

A lavagem só criou uma hostilidade ainda maior entre as hostes iraquianas. Afinal, eles não são burros e sabiam que o objetivo era esse mesmo: dar de colher, quase que como um passe de Didi ou Gerson, a vitória no gramado verde do campo do time da casa, o Al-Zawra.

Um comentarista político chegou a estabelecer uma relação entre a goleada e o recrudescimento, logo após o jogo, da rebeldia contra as forças de ocupação. Pergunta-se: valeu a pena a derrota?

Outro teria sido o resultado, do ponto de vista psicológico, se os americanos tivessem optado pelo futebol conforme eles o praticam, com aqueles pesados e assustadores uniformes, o campo dividido em fatias, como um quibe, o pau comendo com naturalidade, já que faz parte das regras do jogo.

O beisebol seria outra opção, embora se deva pensar duas vezes antes de deixar uma boa quantidade de pesados tacos de pau à disposição de iraquianos derrotados de antemão física e espiritualmente, com fome, sede e saudades de parentes e amigos mortos na guerra.

De qualquer forma, essa a maneira encontrada pelos americanos para devolverem à população local seu estádio, usado depois da vitória no outro jogo, o da guerra, como base militar.

Segundo porta-voz das forças de ocupação, agora os iraquianos podem começar a treinar para os jogos olímpicos de 2004 em Atenas.

Isso, claro, se houver camisa, calção, suporte atlético, tênis, água, eletricidade, grama e – por que não? – anabolizantes. O importante é tentar competir.

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