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Atualizado às: 25 de junho, 2003 - Publicado às 17h55 GMT - 14h55 (Brasília)
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Iraquianas
Ivan Lessa, por Baptistão

Os homens do Iraque a gente sabe como vão. Os protestos contra a ocupação estão aí todos os dias na mídia. Agora, e as mulheres?

Aqui no Reino Unido, Patricia Hewitt, ministra de Indústria e Comércio e também, quase como algo que depois ocorreu a quem a nomeou, ministra-adjunta para mulheres, acaba de aprovar o envio de uma funcionária pública para Bagdá, perita em questões de natureza igualitária entre os sexos.

A perita deverá chefiar o novo Escritório para a Reconstrução e Assistência Humanitária no Iraque e sua missão é lidar primeiro com generais americanos.

A enviada aconselhará os militares quanto à participação das mulheres iraquianas na reconstrução do país. Ela se lamenta de não ter havido, antes, um enviado especial que aconselhasse os mesmos generais a como lidar com os marmanjos iraquianos.

A velha teoria de conquistar corações e mentes, forçoso admitir, não tem sido um sucesso nas ricas areias iraquianas.

Segundo Patricia Hewitt, a enviada especial também lidará com líderes locais. Fácil imaginar a boa vontade desses para com a distinta senhora ou senhorita do funcionalismo público britânico.

Uma assessora de Patricia Hewitt lembrou que, por mais canalha que fosse o regime de Saddam Hussein, um quinto das cadeiras do Parlamento eram ocupadas por mulheres.

Não se esqueceu também de um dado que poucos sabem: o Iraque teve a sua primeira mulher ministra nos anos 20. Há, pois, uma tradição de igualdade no país.

Assim sendo, a enviada especial deverá ajudar na conscientização da importância de se promover o envolvimento feminino em todas os aspectos da reconstrução do país. “Conscientização” é complicado. Nunca ninguém explicou direito como funciona essa panacéia.

Um fato que muito preocupa as autoridades sexo-igualitárias no Reino Unido é que, em abril, quando de uma convenção destinada a examinar os trabalhos de reconstrução do Iraque, apenas seis dos convencionais pertenciam ao que já foi chamado de “sexo frágil”.

Patricia Hewitt, depois de lembrar que, apesar de tudo, a situação é melhor no Iraque do que no Irã, logo ali do lado, disse que “não se trata de ditar condições às mulheres iraquianas, mas sim de dar apoio a elas ajudando-as a encontrar sua própria voz e contribuir para a reconstrução e o governo de seu país.”

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