'Chuva de bombas' é suficiente na luta contra o 'Estado Islâmico'?

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A ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o grupo extremista autodenominado "Estado Islâmico" já soma mais de 8,3 mil bombardeios desde agosto de 2014.

Apesar dessa verdadeira "chuva de bombas", com 17 ataques aéreos diários, o grupo vem conseguindo manter suas posições no Iraque e na Síria.

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Após serem alvo de ataques do "EI", França e Rússia também estão realizando ataques aéreos na região.

Todo esse esforço militar, porém, levanta a questão: a ofensiva está funcionando?

Para Malcolm Charmers, especialista em defesa e segurança, será preciso elevar a campanha a outro nível.

Posições do 'EI' são alvo de ataques desde agosto de 2014, mas grupo extremista continua ativo

Crédito, Reproducao

Legenda da foto, Posições do 'EI' são alvo de ataques desde agosto de 2014, mas grupo extremista continua ativo

"Se o objetivo é retomar território, você precisa de forças de solo. Aviões não tomam território. Eles apoiam esforços, mas sozinhos não fazem muito", afirmou o diretor do centro de estudos Rusi (Royal United Services Institute), da Inglaterra.

Desafios

A presença do "EI" em uma ampla porção de território, e pulverizada por vilas e cidades, dificulta ainda mais uma estratégia exclusivamente aérea.

A cidade de Mosil, no Iraque, por exemplo, apesar de estar ocupada pelo "EI" desde junho de 2014, não é alvo frequente de ataques justamente em razão do grande número de civis que ainda vivem na região.

Há ainda outro problema: nem sempre os bombardeios saem conforme o planejado – planos e informações de inteligência podem estar errados, levando a mortes de civis.

Estratégia baseada apenas em ataques aéreos tem impacto em vidas de civis

Crédito, Reproducao

Legenda da foto, Estratégia baseada apenas em ataques aéreos tem impacto em vidas de civis

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Caso haja consenso sobre uma ação terrestre, ainda será preciso definir: de quem serão as botas no solo?

Especialistas alertam ainda, a partir das experiências recentes no Iraque e no Afeganistão, para a necessidade de bons planos para o "pós-guerra", de modo a evitar o caos social que, no caso iraquiano, contribuiu para o próprio surgimento do "EI".

"Bombardeios por si só não são suficientes. Podem aumentar os recrutas do 'EI' e ter um efeito contrário, a não ser que a 'política do depois' seja acertada desde o início", afirmou Jeremy Greenstock, ex-embaixador do Reino Unido na ONU.

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