Desafio do balde de gelo impulsionou estudo da esclerose, dizem cientistas

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Legenda da foto, Pesquisas financiadas por desafio do balde de gelo começam a dar resultados

O dinheiro arrecadado com a "moda" do desafio do balde de gelo no ano passado já começou a gerar resultados promissores em pesquisa, segundo cientistas americanos.

A campanha, que estimulava pessoas a compartilharem vídeos do momento em que jogavam baldes de água gelada em si mesmas, tinha o objetivo de conseguir doações para a instituições de caridade ligadas a doenças do neurônio motor, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Nos Estados Unidos, a ALS Association – que representa pessoas com ELA e outros tipos de doenças do neurônio motor – recebeu US$ 115 milhões (cerca de RS 390 milhões) em doações de agosto a setembro de 2014, quando o desafio esteve no auge.

Um <link type="page"><caption> estudo</caption><url href="http://www.sciencemag.org/content/349/6248/650.abstract" platform="highweb"/></link> divulgado na semana passada na publicação científica <italic>Science</italic> explica problemas em uma proteína disfuncional presente em pacientes com ELA, um mistério que pesquisadores da Universidade Johns Hopkins vêm tentando desvendar há décadas.

Eles dizem que os novos resultados – obtidos após testes em ratos – foram possíveis graças a fundos que receberam da ALS Association após o desafio.

A pesquisa, no entanto, ainda precisa ser expandida antes de trazer conclusões definitivas.

"Com sorte, isso pode levar à possibilidade de cura ou pelo menos desacelerar essa terrível doença", disse o autor do estudo Jonathan Ling, em um <link type="page"><caption> vídeo</caption><url href="https://www.youtube.com/watch?v=ea4l_Wo-vcA" platform="highweb"/></link> explicando a pesquisa no YouTube.

A ALS Association disse que o dinheiro ajudou a triplicar seu gasto com investimento em pesquisa por ano e, há alguns meses, anunciou que concederia US$ 11 milhões em bolsas para pesquisas sobre a doença.

<link type="page"><caption> Leia mais: Um ano após o desafio do balde gelo, o que aconteceu?</caption><url href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150802_desafio_balde_gelo_um_ano_lab.shtml" platform="highweb"/></link><link type="page"><caption> </caption><url href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/09/140905_bielorrusia_balde_gelo_ms.shtml" platform="highweb"/></link>

<link type="page"><caption> Leia mais: Jovem é ameaçado em Belarus por desafiar presidente no balde de gelo</caption><url href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/09/140905_bielorrusia_balde_gelo_ms.shtml" platform="highweb"/></link>

Genoma

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Legenda da foto, No Brasil, desafio ajudou associação a arregadar mais de R$ 290 mil, mas 'moda' passou rápido

O desafio do balde de gelo se espalhou por todo o mundo pelas redes sociais em meados de 2014. Mais de 17 milhões de pessoas postaram seus vídeos no Facebook e no Instagram – incluindo diversas celebridades –, e eles foram assistidos cerca de 440 milhões de vezes.

No Reino Unido, a Motor Neurone Disease (MND) Association arrecadou 7 milhões de libras (cerca de R$ 35 milhões) com a campanha. Dessa quantia, cerca de 5 milhões foram destinados a pesquisas e 1,5 milhão, ao cuidado e apoio aos pacientes.

A participação da Grã-Bretanha no Mine Project, um projeto internacional para analisar o genoma de 15 mil pessoas com doenças do neurônio motor, incluindo cada pessoa do país com o problema, também foi acelerada com fundos do desafio.

Ammar Al-Chalabi, professor de neurologia e doenças genéticas complexas no King's College London, diz que este é "um projeto enorme que vai produzir dados suficientes para encher 10 mil discos rígidos".

O projeto vai permitir que cientistas comparem o genoma de pessoas afetadas pela doença com o das que não sofrem dela, o que pode facilitar o isolamento dos genes que aumentam as chances de alguém desenvolvê-la.

No Brasil, o desafio ajudou a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (Abrela) a arrecadar R$ 296 mil entre os dias 14 de agosto e 30 de setembro, enquanto durou a campanha. Desde que o balde de gelo saiu de moda, no entanto, o valor voltou a cair.

"Na época, a arrecadação foi muito além do que esperávamos. Em dois meses, arrecadamos o equivalente ao que conseguíamos no ano. Poucas pessoas se disponibilizam a doar para uma doença pouco conhecida e que ainda não tem cura", disse à BBC Brasil Élica Fernandes, gerente executiva e social da Abrela.

"A Abrela se especializa no apoio a pacientes e famílias. Pretendemos fazer uma nova campanha e arrecadarmos mais fundos para podermos ter uma sede e colocar em prática os projetos que temos."

Cerca de 20% deste valor deverá ser destinado a custear a participação de dez pacientes brasileiros no Mine Project, através do Instituto Paulo Gontijo, especializado em pesquisas sobre a doença. O Instituto afirma que não recebeu o repasse até o momento. De acordo com a Abrela, o resto do dinheiro está guardado para futuros projetos.

<link type="page"><caption> Leia mais: Morador de Gaza destruída cria 'desafio do balde de escombros'</caption><url href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140825_gaza_desafio_hb.shtml" platform="highweb"/></link>

*Esta reportagem foi modificada no dia 14 de setembro de 2015 às 17h08 para refletir corretamente a declaração da Abrela sobre o destino do valor arrecadado com a campanha do balde de gelo.