Ícone do design, garrafa de Coca-Cola faz 100 anos

Crédito, Alamy
- Author, Jonathan Glancey
- Role, Da BBC Culture
A máxima “um exército marcha sobre seu estômago” já foi atribuída a Napoleão Bonaparte e ao rei Frederico, o Grande, da Prússia, e evidencia que batalhões sempre precisam comer para continuar lutando.
Mas o que eles deveriam beber? Quando em 1942 as tropas americanas se espalharam pela Europa, era fácil responder a essa pergunta: Coca-Cola, tomada diretamente das famosas garrafas curvilíneas.
Acredita-se que, durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos consumiram 5 bilhões de garrafas de Coca-Cola, enviadas pela empresa para qualquer frente de batalha pelo preço fixo de 5 centavos de dólar por unidade.
Cartazes da época mostravam soldados sorridentes partindo para a guerra com suas garrafas de Coca-Cola na mão, ou compartilhando o refrigerante com crianças recém-liberadas na Itália.
Fotojornalistas, enquanto isso, despachavam para casa imagens de militares tomando sua Coca-Cola enquanto avançavam pelo rio Reno.
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‘Melhor na garrafa’

Crédito, Corbis
A Segunda Guerra Mundial apresentou a Coca-Cola para o mundo.
Hoje, a bebida concebida pelo farmacêutico americano John Pemberton, em 1886, está à venda em todos os países do mundo, exceto em Cuba e na Coreia do Norte – ao menos, oficialmente.
Em 1985, a Coca-Cola invadiu o espaço, sendo oferecida a bordo do ônibus espacial Challenger.
E, apesar de o refrigerante ser vendido em garrafas e latas de todas as formas e tamanhos, a imagem que o define é a da garrafa curvilínea de vidro que exibe o excêntrico logotipo da empresa, criado no século 19.
Milhões de pessoas dizem que a melhor Coca-Cola é a da garrafa. Mesmo que isso não possa ser provado cientificamente, essa multidão sabe do que gosta: da aparência do vasilhame e da maneira como ele se acomoda perfeitamente às nossas mãos.
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‘Clássico e bem pensado’

Crédito, Alamy
Segundo Raymond Loewy, famoso designer industrial francês radicado nos Estados Unidos e morto em 1986, “a garrafa da Coca é uma obra-prima do planejamento científico e funcional”.
“Eu descreveria a garrafa como algo muito bem pensado, lógico, econômico em seu material, e bonito de se ver. É o mais perfeito ‘invólucro de líquidos’ já criado e um dos maiores clássicos da história das embalagens”, afirmou Loewy.
O designer gostava de dizer que o objetivo do desenho é vender, e que “a curva mais graciosa que eu conheço é a curva de vendas”: a garrafa da Coca-Cola exibe curvas graciosas, é um desenho reconhecido globalmente e que vende como... Coca-Cola.
Nos primeiros anos de sua história, a Coca-Cola forneceu seu xarope açucarado patenteado para revendedores que o misturavam com um líquido gaseificado e o engarrafavam na hora de servir.
Naquela época surgiram inúmeras imitações. E a verdadeira Coca-Cola tinha que firmar sua identidade e sua supremacia.
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Inspiração no cacau

Crédito, Corbis
Em 1915, o advogado da empresa, Harold Hirsch, organizou um concurso de design para encontrar a garrafa ideal. Oito empresas de embalagens foram convidadas a criar “uma garrafa que uma pessoa pudesse reconhecer apenas com o tato, e que tivesse um formato que, mesmo quebrado, seria identificável com uma rápida olhada”.
A vencedora foi a Root Glass Company, de Terre Haute, no Estado americano de Indiana. Seu dono se inspirou na ilustração de uma fava de cacau achada em uma enciclopédia.
O design vencedor acabou se mostrando um pouco curvilíneo demais e as garrafas viviam caindo e rolando na linha de montagem.
Em 1916, ela “emagreceu”, e se tornou a garrafa padrão da Coca-Cola quatro anos depois. Em 1928, a venda em garrafas superou a venda a granel.
Essa foi a garrafa que foi para a guerra em 1941 e conquistou o mundo.
A única mudança significativa nesses 100 anos de história ocorreu em 1957, quando Raymond Loewy e John Ebstein, seu chefe de pessoal, substituíram o logotipo gravado no vidro por letras brancas aplicadas sobre ele. Isso deu uma modernizada na garrafa.
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Ícone da Pop Art
A garrafa da Coca-Cola foi um dos primeiros exemplos de um design popular e para as massas - e também o melhor do gênero.
Em 1950, o refrigerante foi o primeiro produto comercial a aparecer na cobiçada capa da revista Time.
Andy Warhol, artista que brincou várias vezes com a imagem da garrafa no início dos anos 1960, disse em 1975: “Uma Coca-Cola é uma Coca-Cola. Não importa quanto dinheiro você tenha: nenhuma quantia no mundo pode te dar uma Coca-Cola melhor do que aquela que o coitado da esquina está tomando.”
Outros artistas, de Salvador Dalí a Robert Rauschenberg, também se renderam à garrafa. Ela se tornou um verdadeiro ícone da Pop Art, e em 1960, teve até uma influência no design de carros.
O “estilo garrafa-de-Coca-Cola” inspirou o projeto de veículos carismáticos como o Buick Riviera 1963 e vários Pontiac GTOs, Chevrolet Camaros e Dodge Chargers que surgiram depois.
Até 4 de outubro, o High Museum of Art, de Atlanta, está exibindo a mostra The Coca-Cola Bottle: An American Icon at 100.
A maior doação feita para o financiamento do museu, inaugurado em 1983, veio de um ex-presidente da Coca-Cola, Robert W. Woodruff.
Foi ele quem deu instruções para que a empresa “garantisse que todos os soldados recebessem uma garrafa de Coca-Coca por 5 centavos de dólar onde quer que estivessem”, durante a Segunda Guerra Mundial.
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<italic>Leia<link type="page"><caption> a versão original desta reportagem em inglês</caption><url href="http://www.bbc.com/culture/story/20150514-the-real-thing-the-coke-bottle" platform="highweb"/></link> no site <link type="page"><caption> BBC Culture</caption><url href="http://www.bbc.com/culture/" platform="highweb"/></link>.</italic>












