Vídeo sobre sair do armário para os pais na China é visto por mais de 100 milhões

Crédito, Ah Qiang.PFLAG
- Author, Gemma Newby e India Rakusen
- Role, BBC Trending
Um vídeo sobre a pressão sentida por filhos gays - que ainda não saíram do armário - em reuniões familiares de Ano Novo para que comecem a namorar se tornou viral na China.
O Ano Novo Chinês, comemorado no último dia 19, é o momento em que milhões de famílias chinesas se reúnem para comer, celebrar e soltar fogos de artifício.
Mas para muitos filhos, também é o momento de enfrentar uma enxurrada de perguntas de pais querendo saber quando eles irão começar a namorar - uma situação enfrentada também por muitos brasileiros em grandes encontros familiares em feriados.
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Nesse Ano Novo, entretanto, um tópico pouco comum acabou se destacando no país: homossexualidade. O motivo foi um vídeo chamado <link type="page"><caption> Coming Home</caption><url href="https://www.youtube.com/watch?v=DJhmAdT-mb8&feature=youtu.be" platform="highweb"/></link> ("Vindo para casa", numa tradução livre).
O curta começa apresentando o estudante Fang Chao e como, no jantar de Ano Novo de 2009, ele é pressionado pelos pais para encontrar uma namorada. Quando ele começa a namorar um homem e revela, por telefone, que é gay, sua mãe e seu pai param de falar com ele.

Crédito, Ah Qiang.PFLAG
Anos depois, já em 2015, a mãe do jovem decide telefonar para ele: "Filho, volte para nós. Não importa quem você é, você sempre será nosso filho. Venha para casa".
O vídeo já teve mais de 100 milhões de visualizações no QQ, uma das maiores plataformas de mídia social na China.
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No final do filme, há clipes reais de mães de homens gays que dão conselhos e deixam mensagens como: "Conte a história de sua vida para seus pais - eles estão dispostos a ouvi-lo", e "Não permita que convenções sociais e visões tradicionais sobre o casamento impeçam seu filho de voltar para casa."
As reações à homossexualidade na China são variadas e os comentários do vídeo refletem isso. Alguns são favoráveis, outros menos. "Alguns dizem que gays e lésbicas são algo OK e normal. Mas o que você vai pensar se isso acontecer com seus filhos e filhas?," comentou uma internauta.
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Crédito, Ah qiang. PFLAG
"Eles estão com medo de socializar com as mulheres? Será que eles podem diferenciar relações fraternas de amor?", disse outro.
Um dos responsáveis pelo vídeo é Ah Qiang, da filial em Guangzhouda da organização sem fins lucrativos PFLAG. A organização, que tem origem nos EUA, luta pela inclusão social de pessoas com base em sua orientação sexual, identidade e expressão de gênero.
Ele contou à BBC como "saiu do armário".
"Minha mãe morreu em 2006 e eu nunca tive a chance de dizer a ela. [Fico] muito triste com isso", diz ele. Dois anos depois, ele decidiu contar a seu pai e sua madrasta que ele era gay. Ele os convidou os dois a sua casa, explicou por que não tinha namorada e por que não voltou para casa para o Ano Novo. "No final eu disse: 'Vocês têm alguma pergunta para mim?' [Meu pai] tinha apenas uma. "Quem vai cuidar de você quando você estiver velho?"

Crédito, Ah Qiang.PFLAG
"Eu disse, 'eu vou ter amigos e eu estou economizando para minha velhice".
Apesar da política de censura à internet da China, Ah Qiang diz que a mídia social tem dado às pessoas do país uma saída para discutir questões em torno da homossexualidade.
Ele disse à BBC que o QQ, o site de mídia social chinesa em que foi publicado o vídeo, inicialmente disse que não poderia colocá-lo na primeira página por causa de sua mensagem pró-gay.
Alguns dias depois, o vídeo se tornou tão popular que entrou na homepage do site.












