Quem era o enfermeiro morto a tiros em protesto contra ICE em Minneapolis

Crédito, Reuters
- Author, Jacob Phillips
- Tempo de leitura: 5 min
Um homem que foi morto a tiros por agentes federais em Minneapolis foi identificado pela sua família como Alex Pretti, um enfermeiro de cuidados intensivos de 37 anos.
Ele era conhecido como um grande amante da natureza, que adorava mountain bike, e acredita-se que tenha se juntado aos protestos depois que Renee Good, também de 37 anos, foi morta a tiros por um agente da Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) dentro de seu carro no início deste mês.
Surgiram relatos contraditórios sobre os momentos que antecederam a morte de Pretti.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou que os agentes dispararam em legítima defesa depois que Pretti, que segundo eles estava armado com uma pistola, resistiu às tentativas de desarmá-lo. Algumas testemunhas oculares e autoridades, bem como a família de Pretti, contestaram essa versão.
Pretti trabalhava como enfermeiro na UTI do hospital Minneapolis Veterans Affairs, informou sua família em comunicado. Eles disseram à agência de notícias Associated Press (AP) que ele estava incomodado com a repressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à imigração na cidade.
A mãe de Pretti também disse que seu filho se preocupava imensamente com a revogação das regulamentações ambientais pelo governo Trump.
"Ele detestava que as pessoas estivessem destruindo o meio ambiente", disse Susan Pretti à AP.
"Ele era um amante da natureza. Levava seu cachorro para todos os lugares a que ia. Ele amava este país, mas detestava o que as pessoas estavam fazendo com ele."
Pretti não teve nenhum contato com a polícia além de multas de trânsito, afirma a família
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Pretti adorava aventuras com seu amado cão, Joule, que morreu há cerca de um ano, informou a AP.
Sua família disse que ele não teve nenhum contato com a polícia, além de algumas multas de trânsito. Segundo a AP, registros judiciais mostram que ele não tinha antecedentes criminais.
Os pais de Pretti, que moram em Wisconsin, disseram que também tinham recentemente pedido ao filho para ter cuidado durante os protestos.
"Tivemos essa conversa com ele há cerca de duas semanas, dizendo para ele ir em frente e protestar, mas sem entrar em confronto, sem fazer nada estúpido", disse seu pai, Michael Pretti, à AP.
"E ele disse que sabia disso."
A família de Pretti também explicou que ele tinha uma arma e licença para porte em Minnesota – mas que nunca souberam que ele andava armado.
O chefe da polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, também disse que a polícia acreditava que ele era um proprietário legal de arma com licença para porte, informou a CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos.
'Por favor, divulguem a verdade sobre o nosso filho'
Depois de ver vídeos sugerindo que seu filho era um "terrorista doméstico", a família de Pretti divulgou uma declaração dizendo que "as mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas".
Eles alegaram que os vídeos mostravam que Pretti não estava segurando uma arma quando foi abordado pelos agentes federais.
"Por favor, divulguem a verdade sobre o nosso filho. Ele era um bom homem", pediram eles em sua declaração.
Pretti era eleitor democrata e participou da onda de protestos de rua após George Floyd ter sido morto por um policial de Minneapolis em 2020, disse sua ex-esposa à AP.
Ela disse que ele era alguém que podia gritar com os policiais em um protesto, mas nunca soube que ele fosse agressivo fisicamente.

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Cidadão americano nascido em Illinois, Pretti cresceu em Green Bay, Wisconsin, onde jogou futebol americano, beisebol e praticou atletismo pela Preble High School. Ele foi escoteiro e cantou no Coro Infantil de Green Bay.
Ele frequentou a Universidade de Minnesota, graduando-se em 2011 com um diploma de bacharel em Biologia, Sociedade e Meio Ambiente, de acordo com sua família.
Ele trabalhou como pesquisador científico antes de voltar à faculdade para se tornar enfermeiro registrado.
Seus pais disseram que a última conversa com o filho foi alguns dias antes de ele ser morto a tiros, quando conversaram sobre os reparos que ele havia feito na porta da garagem de sua casa, informou a AP.
Um homem latino havia concluído o trabalho e os pais de Pretti disseram que, com tudo o que estava acontecendo em Minneapolis, ele deu ao homem uma gorjeta de US$ 100 (R$ 529).
O médico Dmitri Drekonja, que trabalhava com Pretti, disse à ABC News que os dois tinham criado laços por causa do interesse em comum por mountain bike e que costumavam trocar informações sobre as melhores trilhas para pedalar.
"Ele era o tipo de pessoa com quem era agradável estar e a ideia de que esse cara prestativo, sorridente e brincalhão estivesse sendo rotulado como terrorista? É revoltante", disse ele.

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Vizinhos descreveram Pretti como uma pessoa tranquila e calorosa.
"Ele é uma pessoa maravilhosa", disse Sue Gitar à AP, que morava no andar de baixo do enfermeiro, e disse que ele se mudou para o prédio há cerca de três anos. "Ele tem um grande coração."
Pretti morava sozinho e trabalhava muitas horas como enfermeiro, mas não era uma pessoa solitária, segundo seus vizinhos.
"Nunca pensei nele como alguém que andasse armado", disse Gitar.















