Coreia do Norte acusa Obama de agir como 'macaco em floresta tropical'

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Legenda da foto, Longa pode ser poderoso contra regime norte-coreano, segundo correspondente da BBC

A Coreia do Norte acusou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de agir como "um macaco numa floresta tropical", em mais uma crítica pelo lançamento do filme A Entrevista, e culpou o governo norte-americano pela interrupção da internet no país.

A comédia, que gira em torno de um plano fictício para matar o líder norte-coreano, Kim Jong-un, foi lançada no Natal, após a estreia ter sido cancelada pela Sony Pictures devido a um ataque virtual e ameaças.

A decisão de cancelar o lançamento foi fortemente criticada, inclusive por Obama, sob o argumento de que a liberdade de expressão estava sob ameaça.

<link type="page"><caption> Leia mais: Polêmico filme 'A Entrevista' estreia em cinemas americanos</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141225_entrevista_exibicao_sony" platform="highweb"/></link>

Em comunicado divulgado neste sábado, o porta-voz da Comissão de Defesa Nacional norte-coreana criticou fortemente os Estados Unidos pelo "filme desonesto e reacionário que fere a dignidade da liderança suprema da Coreia do Norte e provoca terrorismo".

Segundo o documento, Obama é "o principal culpado que forçou a Sony Pictures Entertainment a distribuir indiscriminadamente o filme", chantageando cinemas nos Estados Unidos.

"Obama é sempre imprudente em palavras e atos, como um macaco numa floresta tropical."

Pouco tempo depois da divulgação do comunicado, a internet caiu na Coreia do Norte, segundo a agência de notícias chinesa Xinhua. O país ficou novamente sem conexão - o mesmo problema já havia acontecido no início da semana por dois dias consecutivos - durante duas horas (entre 8h30 e 10h30 de Brasília).

A grande preocupação de Kim Jong-un é que A Entrevista - que apresenta o líder norte-coreano como um bobo maligno e fracassado - tem sido amplamente visto como engraçado e perspicaz, disse o correspondente da BBC em Seul, Stephen Evans.

<link type="page"><caption> Leia mais: Por que a história do filme 'A Entrevista' revoltou a Coreia do Norte?</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141222_enredo_theinterview_coreia_rs" platform="highweb"/></link>

Se ativistas contrabandearem o filme para a Coreia do Norte em pen-drives, como já fazem com outros filmes, o longa poderá revelar-se bastante poderoso, disse Evans.

O ataque

A comissão norte-coreana também acusou Washington de, "sem fundamentos", responsabilizar a Coreia do Norte pelo ataque virtual à Sony.

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Legenda da foto, Sony cancelou lançamento do filme, mas voltou atrás após duras críticas, inclusive de Obama
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Legenda da foto, Governo norte-coreano tem criticado fortemente a divulgação do filme

Inicialmente, a Sony Pictures havia cancelado a estreia do filme, após sofrer um ataque cibernético sem precedentes de um grupo que se autodenomina Guardiões da Paz.

Os hackers que invadiram a Sony também ameaçaram atacar cinemas que exibissem o filme.

O polêmico filme foi exibido em alguns cinemas dos EUA e na internet. Centenas de salas independentes se ofereceram para exibir o longa. No entanto, cinemas maiores decidiram não divulgar a comédia.

Na semana passada, o FBI culpou a Coreia do Norte pelo ataque à Sony, mas muitos especialistas em segurança cibernética disputaram essa versão.

A Coreia do Norte negou estar por trás do ataque, mas o descreveu como um "ato justo".

Depois, o país sofreu uma grave interrupção no seu acesso à internet durante esta semana, que se repetiu neste sábado.