Ucrânia diz enfrentar coluna militar separatista vinda da Rússia

Crédito, EPA
O Exército ucraniano afirma ter entrado em confronto com rebeldes pró-Rússia com veículos militares – incluindo tanques – que supostamente cruzaram a fronteira russa em direção à cidade de Mariupol (sudeste ucraniano).
Um comandante ucraniano afirmou que, com a incursão, os rebeldes podem estar tentando abrir uma nova frente de combate.
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse por telefone ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que a entrada de russos em território ucraniano causa "extrema preocupação".
Já o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou não ter conhecimento sobre a suposta entrada da coluna militar na Ucrânia.
Confrontos entre tropas ucranianas e separatistas já causaram mais de 2 mil mortes nos últimos meses e forçaram o deslocamento de 330 mil pessoas no leste da Ucrânia.
Confrontos
O Exército ucraniano afirmou que guardas de fronteira contiveram um grupo separatista perto de Novoazovsk, a cerca de 10 km da divisa sudeste do país, carregando bandeiras separatistas. Há relatos de fortes confrontos na aldeia de Markyne.
Um comandante da guarda nacional ucraniana na região disse à agência Reuters que "uma guerra começou por aqui".
Autoridades ucranianas afirmaram, mais tarde, que dois tanques foram destruídos e diversos membros de "um grupo de sabotagem e reconhecimento" foram detidos.
Segundo relatos, havia até 50 tanques na coluna separatista.
A cidade de Mariupol, um importante porto no mar de Azov, está nas mãos das forças do governo da Ucrânia, que expulsaram rebeldes em junho, após semanas de enfrentamentos.
Um porta-voz do Exército alega que Kiev se mantém no controle da cidade e da estrada que leva a Novoazovsk.
A Ucrânia, ao lado de potências ocidentais, acusa a Rússia de armar rebeldes separatistas, acusação negada por Moscou.
Já houve anteriormente diversos relatos prévios dando conta da entrada de veículos militares pela fronteira leste da Ucrânia.
A violência na região eclodiu em abril, quando rebeldes pró-Rússia nas áreas de Donetsk e Luhansk (leste ucraniano, onde há significativa presença de pessoas de origem étnica russa) declararam independência em relação a Kiev. Isso ocorreu após a Rússia ter anunciado, em março, a anexação da península da Crimeia, até então parte do território ucraniano.
Novo comboio
O Kremlin afirmou que pretende enviar um segundo comboio humanitário ao leste da Ucrânia "nos próximos dias", por considerar que a situação dos moradores lcoais está "se deteriorando".
O primeiro comboio, que voltou à Rússia durante o final de semana, cruzou a fronteira sem autorização de Kiev, que alegou que os caminhões com mantimentos poderiam estar equipados com armas destinadas aos separatistas.
Lavrov afirma, porém, que os comboios levam geradores, alimentos e bebidas. "As condições humanitárias estão piorando, e não melhorando, na região", alega.
Petro Poroshenko e o presidente russo, Vladimir Putin, devem se reunir nesta terça-feira em Minsk, capital de Belarus, para tratar da crise bilateral.
O líder ucraniano dissolveu o Parlamento do país nesta segunda-feira e pediu a realização de eleições. Um porta-voz do presidente afirmou que o país vai às urnas em 26 de outubro.
Poroshenko afirmou que a Constituição ucraniana permite essa iniciativa, já que a coalizão governista rachou.












