Caminhões russos entram na Ucrânia; Kiev acusa Moscou de violar leis

Comboio de caminhões russos na Ucrânia (AP)

Crédito, AP

Legenda da foto, Comboio leva ajuda ao leste da Ucrânia, que considerou o ato uma 'invasão direta'

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusou nesta sexta-feira a Rússia de "flagrante violação da lei internacional" após caminhões russos com ajuda humanitária terem entrado sem permissão em território ucraniano. A comunidade internacional também fez fortes críticas à ação russa.

Mais de cem veículos russos entraram na Ucrânia sem qualquer checagem aduaneira e sem acompanhamento da Cruz Vermelha, disse o presidente.

A ajuda seria destinada a civis na zona de guerra no leste da Ucrânia, especialmente na cidade de Lugansk, tomada por rebeldes pró-Rússia.

Os caminhões já chegaram a Lugansk e estão sendo descarregados, segundo a agência russa Interfax. Há relatos de que eles estariam sendo escoltados por combatentes rebeldes.

A Rússia alega que a obstrução aos caminhões é irracional e que enviou-os à Ucrânia a despeito das críticas de Kiev.

"Foram exauridas todas as desculpas para bloquear a entrega de ajuda em uma área onde há uma catástrofe humana", diz seu Ministério de Relações Exteriores. "O lado russo decidiu agir. Nosso comboio com ajuda está a caminho de Lugansk."

Reação internacional

Os Estados Unidos afirmaram que o deslocamento do comboio russo é uma violação da soberania ucraniana e uma escalada "perigosa" do conflito. A Casa Branca afirmou ainda que os russos devem recuar ou sofrerão com um isolamento ainda maior.

A Otan (aliança militar ocidental) afirmou que a ação coincide com uma elevação grande no apoio russo aos rebeldes ucranianos - que inclui ataques de artilharia contra as forças ucranianas.

'Invasão direta'

O correspondente da BBC Daniel Sandford explica que, como o comboio não tem qualquer participação da Cruz Vermelha, Kiev não deve reconhecê-lo como missão humanitária - e o incidente só tende a agravar as tensões entre Rússia e Ucrânia, podendo despertar novos conflitos em terra.

O chefe do serviço de segurança da Ucrânia, Valentyn Nalyvaychenko, disse que o ato foi uma "provocação", mas que não usará força militar contra os caminhões.

"É uma invasão direta", disse Nalyvaychenko. "Sob o disfarce cínico (de ajuda humanitária), estes são veículos militares."

Kiev pediu condenação internacional ao episódio, alegando que a iniciativa é parte da tentativa russa de intervir no leste ucraniano, ajudando os rebeldes.

Por sua vez, a Chancelaria em Moscou afirmou que, se o comboio for atacado, Moscou pode reagir.

"Foram exauridas todas as desculpas para bloquear a entrega de ajuda em uma área onde há uma catástrofe humana", disse o Ministério de Relações Exteriores.

"O lado russo decidiu agir. Nosso comboio com ajuda está a caminho de Lugansk."

Jornalistas estrangeiros autorizados a olhar o carregamento mais cedo observaram que ele continha suprimentos como papinhas de bebê e cereais.

A Rússia nega as acusações de que esteja armando e treinando os rebeldes em Lugansk e na região vizinha de Donetsk, onde quatro meses de combates deixaram mais de 2 mil mortos e 330 mil deslocados.

Agora tomada por rebeldes pró-Rússia, Lugansk está sem água corrente ou comunicações telefônicas, enquanto o governo ucraniano tenta retomar seu controle.