Felipão e Parreira usam 'dados' para explicar decisões

Crédito, BBC Brasil
- Author, Jefferson Puff
- Role, Enviado especial da BBC Brasil a Teresópolis
Ainda acometida pela "ressaca moral" da derrota histórica para Alemanha por 7 a 1, a comissão técnica da seleção brasileira reuniu-se na tarde desta quarta-feira para explicar o "apagão" que marcou a partida ocorrida no Mineirão, em Belo Horizonte, pelas semifinais da Copa do Mundo.
Em entrevista coletiva na Granja Comary, em Teresópolis, a comissão se disse envergonhada pelo resultado e que está empenhada em garantir pelo menos o terceiro lugar no Mundial.
Classificada pelo coordenador técnico Carlos Alberto Parreira como "um tsunami" que atingiu o grupo, a partida - marcada pela completa apatia da seleção brasileira - foi alvo de discussões entre jornalistas e integrantes da comissão.
Um repórter chegou a questionar o fato de o técnico Luiz Felipe Scolari focar suas explicações nos seis minutos de "blecaute", quando, na verdade, o desempenho do Brasil havia sido "sofrível" em vários outros momentos de todas as partidas.
Em resposta a muitas das críticas, Felipão disse que não alteraria a rotina de treinamentos, e que havia baseado suas decisões em "dados" - algo, aliás, no qual o gaúcho insistiu durante toda a entrevista, mostrando papéis e tabelas, e argumentando que, apesar das críticas, não houve menos treinos no Mundial do que na Copa das Confederações.
"Há momentos em que a experiência faz a diferença. Eles tinham mais jogadores que já haviam jogado em outras Copas. Era um grupo que já treinava junto há oito anos, e nosso trabalho tem apenas um ano e meio", disse.
Visivelmente abatido e admitindo o péssimo resultado, Felipão comentou a sensação de derrota. "Eu sei o que é tudo isso, eu sei o que é a vergonha, e isso não vai sair de mim, mas vamos continuar. E isso que disse a eles", afirmou.
Felipão foi evasivo quanto à sua permanência no comando do grupo e disse que só comentará o assunto após o jogo de sábado. A comissão técnica disse ainda que o atacante Neymar, mesmo impossibilitado de jogar, estará junto com a seleção na partida pelo terceiro lugar.
'A Copa acabou'

Crédito, BBC Brasil
As justificativas para a histórica derrota brasileira chegam em meio a um clima completamente diferente do que o centro de treinamento da seleção havia mostrado desde o início do Mundial.
"Mudou muito, e um clima de velório, de enterro mesmo", disse o vigilante Junior Silva, de 39 anos, que trabalha na entrada da Granja Comary. "Tinha muito mais gente por aqui, em frente ao portão, até os jornalistas passavam aqui animados, andando rápido, sorrindo e cumprimentando a gente. Hoje só se viu repórter de cabeça baixa, quase ninguém tentando entrar aqui, muito diferente mesmo".
O empresário Agnaldo Gibertoni, de 47 anos, foi um dos poucos torcedores que se aventuraram a enfrentar o frio da Serra Fluminense para visitar a Granja. Para ele e a mulher, Karen Santos, de 45 anos, só haverá qualquer animação da torcida se o Brasil disputar o terceiro lugar contra a Argentina.
"A Copa acabou, essa e que a verdade. A não ser que o Brasil jogue contra a Argentina, com quem temos mais rivalidade, ninguém vai mais se animar. Na Barra da Tijuca, onde moramos no Rio de Janeiro, estava o mesmo clima de luto daqui, desde ontem à noite. Hoje pela manhã que as pessoas começaram a aceitar melhor", conta.

Crédito, BBC Brasil
Mas nem todos vieram para criticar.
Num momento em que a maior parte do país se divide entre a revolta ou a tristeza, um pequeno grupo de dez adolescentes empunhava bandeiras do Brasil e cartazes de apoio à seleção.
Vindos da Baixada Fluminense, Teresópolis e até de Minas Gerais, os jovens dificilmente chegarão perto de qualquer jogador ou membro da comissão técnica da seleção, mas mesmo assim quiseram mostrar apoio.
"Mesmo tendo perdido de 7 a 1, eles já ganharam cinco campeonatos. Precisamos mostrar força", disse a estudante Desirée Salles, de 15 anos.












