Resignados, torcedores em várias cidades fogem de decepção com festa

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A histórica goleada sofrida pela seleção brasileira na semifinal da Copa do Mundo não impediu os presentes na Vila Madalena, grande ponto de encontro dos paulistanos durante o Mundial, de manterem o clima de carnaval no bairro boêmio da cidade.

Parecido com o que vinha acontecendo nos outros jogos da Copa do Mundo até então, algumas das principais ruas seguiram bloqueadas para os carros, com as pessoas bebendo, cantando e se divertindo em frente aos bares.

"Vou ficar aqui porque além de tudo o brasileiro gosta de festa. A gente está na festa! Vamos beber mesmo com a goleada, para afogar as lágrimas", disse à BBC Brasil a torcedora Carolina Boaventura.

Num bar no bairro de Pinheiros, também em São Paulo, o clima era de resignação após o "massacre" alemão. Se alguns tinham esperança de um título nessa Copa, muitos já reconheciam antes da partida que seria difícil passar pela forte Alemanha.

"Nunca esperamos um placar desse. Não estaria surpreso se o Brasil perdesse para a Alemanha, mas não desse jeito", afirmou o paulistano Victor Bebber. "Sabíamos que isso ia acontecer porque nosso time não é tão forte, nem tão unido quanto o alemão. Será um marco, mudará o nosso futebol, o jeito que a gente faz futebol aqui", completou o torcedor Adib Neto.

Também em São Paulo, a polícia relatou casos de ônibus incendiados na periferia da cidade.

Itaquera

Na Comunidade da Paz, a menos de 500 m da Arena Corinthians, as pessoas tinham se preparado para ver o jogo do Brasil e fazer festa depois.

Apesar de serem vizinhos ao estádio da Copa, o Mundial, para eles, só está acontecendo pela TV, já que em dias de Copa na cidade as ruas nos arredores ficam fechadas e eles mal conseguem chegar perto para registrar o evento em fotografias.

Torcedor brasileiro vestiu a camisa da Argentina durante o jogo

Crédito, BBC Brasil

Legenda da foto, Gols da Alemanha desanimaram o torcedor, que vestiu a camisa da Argentina de Messi

Durante o jogo, o humor das pessoas começou a mudar lá pelo terceiro dos sete gols da Alemanha. A partir do quarto, o jogo virou piada. Na casa de seu Dranci Silva, líder comunitário local, a cada cinco minutos aparecia um novo morador se divertindo com o "chocolate" que a seleção brasileira estava levando.

"A gente não estava acreditando nessa seleção, porque ela não estava boa. Até que ela foi longe demais. Se tivesse enfrentado a Alemanha na primeira fase, a gente já estava fora. O único que salvava era o Neymar. Agora vou continuar vendo, quero ver quem vai ser campeão, se a Alemanha levantar essa taça vai ser merecido", disse Dranci.

"Vira cinco e acaba dez?", brincou um visitante. "Vai, vai, faz o sexto", ironizou outro. No intervalo, um amigo voltou vestindo a camisa de seu novo time: a Argentina. Com orgulho, estampou o nome de Messi nas costas e desistiu de acompanhar a equipe do Brasil, completamente dominada pela Alemanha.

Terminado o jogo, o som da comunidade foi mais baixo do que o normal, mas não deixou de rolar. No bar na saída da comunidade, muita gente se aglomerou pra curtir a "ressaca" pós-derrota curtindo a música e tomando cerveja.

Rio de Janeiro

A Fan Fest no Rio de Janeiro, que durante a Copa do Mundo protagonizou belas imagens da comemoração brasileira na praia de Copacabana, passou a maior derrota do Brasil em Copas debaixo de muita chuva.

À medida que o placar ia se definindo - foram quatro gols alemães entre os 23 e os 29 minutos do primeiro tempo - boa parte das pessoas foi deixando o lugar. E apesar do clima pesado, debaixo de um temporal que o Rio de Janeiro não via havia muito tempo, as pessoas não sem mostraram tão abaladas ou surpresas com a queda brasileira.

"Já era de se esperar: a Alemanha tem um grande time, e o Brasil não tinha encarado nenhum adversário de peso", comentou o carioca Sérgio Vasconcellos. "O Brasil sempre acha que entra na Copa para ganhar. Já ganhamos na casa dos outros, por que o outros não podem ganhar?", questionou o torcedor Eduardo Fausto.

A reportagem ainda recebeu diversas notificações de confusões no início da noite. Uma delas, em frente ao Copacabana Palace, logo chamou a atenção da polícia, que informou: irá manter uma atenção especial com torcedores estrangeiros nos próximos dias, temendo que uma festa de um grupo de argentinos nesta quarta-feira, por exemplo, possa render algum tumulto com brasileiros.

Brasília

Na 408 Norte, uma quadra comercial com a maior concentração de bares de Brasília e que costuma receber os grupos de estudantes universitários, o garçom Lucas Ramos estimou que o movimento nesta noite, após o jogo do Brasil, foi 50% menor na comparação com as outras partidas do time brasileiro.

Show de música sertaneja em Brasília após derrota do Brasil

Crédito, BBC Brasil

Legenda da foto, Em Brasília, relatos de um movimento menor que o esperado, mas música sertaneja mantida

Ainda assim, motivados por um show de música sertaneja em um palco instalado na calçada - e provavelmente marcado para celebrar a classificação brasileira à final -, uma turma de amigos seguiu se divertindo normalmente.

Fortaleza

Na Fan Fest em Fortaleza, foi possível ver alguns torcedores indo às lágrimas quando o Brasil sofreu o primeiro gol alemão, logo aos 11 minutos de jogo. Depois, grande parte dos cearenses começou a deixar o local sem demonstrar grandes emoções, vendo as chances brasileiras se perderem na rápida sequência de gols dos europeus.

Pouco mais tarde, o clima ainda era de luto na maioria dos bares frequentados pela torcida brasileira. Entretanto, as bandas de forró voltaram a animar uma multidão na Fan Fest da Praia de Iracema.

O garçom Jair Barros de Sousa disse estar decepcionado. "A gente faz um esforço para fazer parte dessa Copa, compra camisa cara para os filhos e acontece isso. Minha filha me ligou desolada e não quer usar a blusa da Seleção nunca mais".

*colaboraram Luis Kawaguti, Rafael Barifouse, Renata Mendonça, Jefferson Puff, Isabel Filgueiras, João Fellet, Julio Gomes