EUA ataca Venezuela e captura Maduro: confira a cobertura completa em tempo real da BBC de momento histórico para a América Latina
Ação militar inédita do governo Trump marcou auge da escalada de tensão entre os dois países e foi duramente criticada pela comunidade internacional. Entenda como tudo se desenrolou e seus possíveis desdobramentos.
Por Rafael Barifouse, Flávia Marreiro, Julia Braun, Giulia Granchi, Camilla Veras Mota, Leandro Prazeres, Mariana Schreiber, Mariana Alvim e Rute Pina
Encerramos por aqui a cobertura em tempo real
Finalizamos a cobertura ao vivo sobre o ataque dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro.
Você pode continuar acompanhando os desdobramentos sobre o tema em nossas reportagens e análises, em nosso site e nas redes sociais da BBC News Brasil.
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Suíça congela ativos de Maduro e de pessoas de seu entorno
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A Suíça congelou os ativos que Nicolás Maduro e pessoas de seu círculo possuem no país, segundo anunciou o governo suíço nesta segunda-feira.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Suíça afirmou que a medida atinge 37 pessoas, segundo a agência de notícias Reuters. O representante acrescentou que o ministério não pôde fornecer detalhes sobre o valor dos ativos envolvidos.
A decisão, que entra em vigor imediatamente e terá validade de quatro anos, procura impedir a retirada de ativos potencialmente ilícitos e se soma às sanções já impostas à Venezuela desde 2018, informou o governo em comunicado.
Filho de Maduro manifesta apoio a Delcy Rodríguez
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Nicolás Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro, manifestou apoio público e explícito a Delcy Rodríguez durante sessão da Assembleia Nacional que a oficializou como presidente interina..
Em discurso, ele afirmou que a captura de seu pai não quebrou a coesão do grupo nem a lealdade interna. “Talvez tenham sequestrado Nicolás e Cilia, mas não sequestraram a consciência de um povo que decidiu ser livre”, declarou.
Dirigindo-se diretamente a Delcy Rodríguez, ele foi enfático ao oferecer respaldo político e pessoal. “A você, Delcy, meu apoio incondicional para a dura tarefa que está pela frente. Conte comigo. Conte com a minha família”, afirmou.
A declaração contraria especulações de bastidores sobre conflitos entre Rodríguez e o entorno de Maduro após a operação dos EUA.
No discurso, Maduro Guerra descreveu a detenção do pai como um ataque ao direito internacional e à soberania venezuelana. “Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer nação que não decida se submeter”, disse. Para ele, o episódio não é apenas um conflito político, mas “uma ameaça direta à estabilidade global”.
Rodríguez elogia Maduro e a esposa como 'heróis' durante cerimônia de posse
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Agora trazemos mais detalhes sobre a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela.
Ela foi empossada pelo irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional do país.
Durante a cerimônia, afirmou que assumia o cargo “com dor, devido ao sofrimento que foi causado ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria”.
Rodríguez se referiu a Maduro e à esposa dele como “dois heróis” e prometeu garantir a paz no país, “a tranquilidade espiritual do nosso povo, a tranquilidade econômica e social do nosso povo”.
Aos 56 anos, Rodríguez é aliada de Maduro e atuou como vice-presidente desde 2018. Ela também já ocupou o cargo de ministra da Economia e das Finanças da Venezuela.
Advogado de esposa de Maduro afirma que ela sofreu 'ferimentos significativos'
Mark E. Donnelly, advogado de Cilia Flores, afirmou que sua cliente sofreu “ferimentos significativos” quando ela e o marido, Nicolás Maduro, foram capturados na Venezuela, segundo informou a parceira da BBC nos Estados Unidos, a emissora CBS News.
Flores foi vista no tribunal com hematomas visíveis.
Donnelly disse acreditar que ela tenha uma fratura ou fortes contusões nas costelas. O juiz do tribunal determinou que os promotores garantam que ela receba o tratamento adequado.
"Nossa cliente está de bom ânimo. Estamos ansiosos para analisar e contestar as provas que o governo possui. Embora gostaríamos de apresentar nossa versão agora, aguardaremos para fazê-lo em juízo, no momento apropriado. A primeira-dama está ciente de que há um longo caminho pela frente e está preparada", afirmou Donnelly em comunicado à BBC.
Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela
A nova líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, acaba de tomar posse como presidente interina em cerimônia realizada na Assembleia Nacional, em Caracas.
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Como é prisão onde Maduro está detido em Nova York
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Advogados americanos já a descreveram como "o inferno na Terra", e há juízes que se recusaram a enviar condenados para lá. É nessa prisão, no Brooklyn (Nova York, EUA), que o venezuelano Nicolás Maduro está detido.
Presidente da Colômbia diz estar disposto a 'pegar em armas' para defender seu país
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que estaria disposto a “pegar em armas” para defender o seu país.
As declarações ocorrem após ameaças de Donald Trump, que, segundo a agência Reuters e vários veículos de imprensa, mencionou a possibilidade de uma ação militar contra o governo colombiano.
Trump alegou que o líder colombiano estaria envolvido no tráfico de drogas para os Estados Unidos. Em uma publicação nas redes sociais feita nesta manhã, Petro disse que não responderia diretamente a Trump até ter certeza de que as declarações haviam sido traduzidas corretamente.
Ele também negou ser “ilegítimo” ou traficante de drogas. Petro, ex-guerrilheiro, afirmou que havia jurado “não tocar” em uma arma novamente, mas que, pela pátria, estaria disposto a pegá-la.
Manifestantes a favor e contra Maduro se reuniram do lado de fora do tribunal em Nova York
Alguns manifestantes, portando bandeiras e cartazes a favor e contra Nicolás Maduro, acompanharam do lado de fora a audiência no tribunal onde são apresentadas as acusações contra o líder venezuelano.
Apesar de dividirem a mesma rua, não houve registros de confrontos entre os grupos.
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Conselho de Segurança da ONU se divide sobre a ação dos EUA na Venezuela
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Na sessão do Conselho de Segurança da ONU, realizada também em Nova York nesta segunda-feira (5/1), foram ouvidas posições contrárias à intervenção dos Estados Unidos em Caracas.
A maioria dos países rejeitou o uso da força e defendeu o respeito à Carta das Nações Unidas, que prevê a resolução pacífica dos conflitos.
Entre os países latino-americanos, Argentina e Paraguai manifestaram apoio a uma mudança de regime na Venezuela, enquanto outros, como México, Brasil, Cuba e Chile, rejeitaram a intervenção militar.
Várias nações afirmaram ainda que o governo de Maduro não tinha legitimidade, diante das acusações de fraude nas eleições de 2024.
Maduro diz ser 'prisioneiro de guerra'
A audiência de custódia de Maduro e de sua esposa começou e terminou com momentos dramáticos, reporta Madeline Halpert, correspondente da BBC News.
O som das algemas presas às pernas de Maduro pôde ser ouvido antes de ele entrar na sala do tribunal, onde se virou, acenou com a cabeça e aparentou dizer "buenos días" a várias pessoas na plateia.
O momento de maior tensão ocorreu ao final da audiência, quando uma pessoa do público passou a gritar em espanhol para Maduro que ele “pagaria” pelo que havia feito.
Maduro se virou na direção do homem e respondeu, também em espanhol, que era um “presidente sequestrado” e um “prisioneiro de guerra”, antes de ser escoltado para fora, algemado, atrás de sua esposa, pela porta dos fundos do tribunal.
A pessoa que gritou foi convidada a se retirar da sala.
Maduro escolhe advogado que representou Julian Assange para sua defesa
Barry Joel Pollack foi listado como representante legal de Maduro. Ele é conhecido por ter atuado na defesa de Julian Assange, do Wikileaks.
Ele afirmou que seu cliente não está pedindo liberdade sob fiança neste momento, embora isso possa ocorrer mais adiante.
Maduro se declara inocente e afirma que continua sendo o líder da Venezuela
Vestindo uniforme prisional e com os pés algemados, Nicolás Maduro participou de audiência em tribunal do Distrito Sul de Nova York.
O presidente deposto da Venezuela se declarou inocente de todas as acusações que enfrenta. Quatro acusações constam na denúncia formal, incluindo conspiração para o narcoterrorismo e posse de metralhadoras e artefatos destrutivos.
Segundo a CBS News, parceira da BBC nos EUA, Maduro disse ao tribunal em Nova York que continua sendo o líder da Venezuela. "Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente, o presidente do meu país", afirmou, por meio de um intérprete.
Câmeras não são permitidas no tribunal e apenas alguns repórteres podem transmitir informações diretamente de dentro da sala.
Sua esposa, Cilia Flores, que também foi detida com ele no fim de semana, também se declarou inocente das acusações de tráfico de drogas e crimes relacionados a armas.
A próxima audiência do caso está marcada para 17 de março, segundo a imprensa dos EUA.
Trump agiu corretamente ao não informar o Congresso, diz republicano
O deputado republicano Randy Fine afirmou que o presidente “não precisa consultar o Congresso toda vez que prende um traficante”, ao responder a questionamentos sobre a captura de Nicolás Maduro.
“Se precisasse, não prenderíamos uma grande quantidade de traficantes”, disse Fine à CNN.
Segundo o parlamentar, Trump tomou a decisão correta ao não informar o Congresso antes dos ataques e da apreensão de Maduro, porque acredita que “alguém teria aberto a boca” e vazado informações.
Mais cedo, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que “lançar uma ação militar sem autorização do Congresso” para capturar Maduro foi uma atitude “imprudente” e contrária ao que, segundo ele, havia sido informado pelo governo Trump sobre suas intenções.
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Em imagens: multidão aguarda a chegada de Maduro
Jornalistas e manifestantes se reúnem do lado de fora do Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan, em Nova York, onde Maduro deve comparecer.
Estas são as imagens que acabam de chegar.
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Legenda da foto, Manifestantes pró-Maduro gritam palavras de ordem e exibem cartazes em frente ao tribunal
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Legenda da foto, Jornalistas aguardam do lado de fora do tribunal
Maduro é transferido para tribunal em Nova York
Imagens divulgadas nas últimas horas mostram um comboio que seria responsável pelo transporte de Nicolás Maduro circulando por Nova York. Em registros feitos na cidade, o presidente venezuelano é visto deixando um veículo policial blindado, escoltado por dois agentes.
Na sequência, imagens divulgadas mostram Maduro algemado e escoltado por agentes armados sendo levado até um helicóptero, que decola em seguida com ele a bordo.
Segundo as autoridades americanas, Maduro deve comparecer ao tribunal ainda hoje, nas próximas horas, para sua primeira audiência judicial.
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Líderes da Espanha reagem à captura de Maduro
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, falou com jornalistas do lado de fora de uma reunião do Conselho da União Europeia.
O governo espanhol tem sido um crítico contundente da retirada do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Albares disse à rádio Cadena Ser que a intervenção violou o direito internacional e estabeleceu “um precedente muito perigoso para o futuro”.
A Espanha solicitou participar da reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada para hoje, que discutirá o tema.
As declarações de Albares ecoaram as do primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, que disse a integrantes de seu partido que o uso da força por Washington foi “um ato que condenamos plenamente, assim como condenamos o sofrimento do povo da Ucrânia e da Palestina”.
Estima-se que cerca de 600 mil venezuelanos vivam na Espanha, muitos deles tendo fugido do caos econômico e social de seu país nos últimos anos.
O conservador Partido Popular (PP) tem uma visão bastante diferente. A legenda elogiou a saída de Maduro, embora tenha expressado algumas preocupações quanto à legalidade da operação.
O PP alertou contra permitir que a vice-presidente Delcy Rodríguez suceda Maduro e defendeu a realização de eleições.
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Legenda da foto, José Manuel Albares
Na perspectiva do governo venezuelano, hoje é um dia para mostrar que tudo segue como “negócios como sempre”
Hoje acontece a cerimônia anual de instalação da Assembleia Nacional do país — essencialmente a abertura do ano legislativo. No entanto, neste ano, o único item da pauta é a posse da nova presidente interina, Delcy Rodríguez.
A Assembleia Nacional é presidida por seu irmão, Jorge, e está repleta de aliados do governo. Até o momento, Rodríguez também conta com o apoio dos militares, além de outros ministros, como o poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.
Os Estados Unidos a ameaçaram para que, na prática, cumpra suas exigências, e Rodríguez convidou Washington a se engajar em uma “cooperação” dentro dos limites do direito internacional. Se isso se concretizar, um ponto central a observar será o grau — ou não — de coesão mantido pelo governo.
Vale lembrar que esses aliados de Maduro passaram anos criticando duramente os EUA, acusando o país de imperialismo e de querer se apropriar dos recursos da Venezuela.
Qualquer sinal de disputa interna por poder ou de dissidência pode desencadear uma nova onda de instabilidade.
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Questão sobre legitimidade de Maduro agora é 'irrelevante', diz ex-assessor
A questão sobre se Maduro é ou não um líder ilegítimo agora é “irrelevante”, afirmou um ex-assessor de alto escalão do líder venezuelano.
“O fato é que Maduro foi sequestrado da Venezuela”, disse Temir Porras Ponceleon ao programa Today, da BBC Radio 4.
Maduro é amplamente visto por opositores dentro do país, assim como por governos estrangeiros, como tendo vencido de forma ilegítima a eleição presidencial venezuelana de 2024, além de ser acusado de reprimir a oposição e a dissidência.
Porras Ponceleon, que foi chefe de gabinete de Maduro entre 2007 e 2013, quando ele era ministro das Relações Exteriores, afirmou que as posições da oposição já não são relevantes porque “o destino da Venezuela não está mais em suas mãos”.
“Agora ele está nas mãos tanto de quem ataca a Venezuela — o governo dos Estados Unidos — quanto daqueles que detêm a realidade do poder, porque parece que a preocupação neste momento é garantir a estabilidade dentro do país”, disse.
Preços do petróleo caem após a captura de Maduro
Com o foco voltado para a indústria petrolífera da Venezuela após os acontecimentos do fim de semana, os preços do petróleo caíram na segunda-feira. Analistas afirmaram que qualquer interrupção nas exportações venezuelanas de petróleo poderia ser facilmente compensada por fornecimentos de outras partes do mundo.
Por outro lado, os preços de metais preciosos como ouro e prata subiram, à medida que investidores direcionaram recursos para os chamados ativos de “porto seguro”.
O ouro avançou quase 2%, chegando a US$ 4.408 por onça (medida usada no mercado internacional), enquanto a prata subiu 3,5%.