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'Nova China' tem de arranha-céus a sex shops | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A liberalização econômica da China iniciada em 1978 pelo presidente chinês Deng Xiaoping não acarretou em mudanças apenas na esfera econômica ou comercial – a sociedade do país também ganhou uma nova cara. Ao caminhar pelas ruas de cidades como Pequim e Xangai é possível ver essas diferenças. Os arranha-céus não param de surgir a cada esquina. As contruções tradicionais dão espaço a edifícios com um estilo mais moderno, minimalista. “Os prédios antigos não eram suficientes para acomodar o enorme crescimento da população. Estou falando de uma cidade que foi construída para abrigar apenas 10% da população atual. Então, é inevitável que essa cidade se expanda verticalmente”, disse à BBC Zhang Xin, uma das principais arquitetas de Pequim. “A maioria das pessoas da minha geração perdeu o amor pela tradição. Na verdade, existe até um pouco de ódio em relação às coisas antigas. Velho significa má qualidade.” Quem saiu do país alguns anos atrás e voltou agora fica surpreendido com essas diferenças estéticas, como contou à BBC Brasil Huijuan Yu, editora do departamento de português da Rádio Internacional da China. “Fiquei três anos e meio fora da China e quando voltei Pequim já era outra.” Sex shop Os chineses também têm maior abertura para falar sobres determinados assuntos que antes eram proibidos. “Não se falava de homossexualismo, de Aids, de prostituição. Tudo isso está se falando agora. Até sex shop tem aqui agora, você acredita?”, comenta a brasileira Maria Lúcia Verdi, chefe do departamento cultural da Embaixada do Brasil na China, que mora há quatro anos no país. A mídia é um retrato dessa modernização. Já são mais de cem canais de televisão, além de 2 mil jornais e 9 mil revistas publicadas a cada ano. No entanto, maior quantidade não é sinômino de maior liberdade de expressão. É o que afirma Chow Gu Biow, professor de jornalismo da Universidade de Pequim. “O departamento de propaganda ordena que a mídia não use palavras como democracia, direitos humanos e liberdade.” Biow trabalhava como repórter, mas foi proibido de trabalhar na imprensa chinesa depois que publicou uma reportagem em que comparava o Departamento de Propaganda do governo aos nazistas da Segunda Guerra Mundial. Choque de gerações Tanto na mídia impressa como na televisão, entretenimento e esporte são os assuntos que atraem maior audiência. Principalmente entre os jovens, a política ganha cada vez menos adeptos e o choque entre as gerações é cada vez mais visível. “A China hoje é um laboratório social extraordinário. Há um abismo entre as gerações. Se você se sentar à mesa com uma família com filhos adolescentes e pais na casa dos 40 ou 50 anos e pedir para que eles descrevam a China de hoje, você vai ter a impressão de que eles moram em países completamente diferentes”, diz Eric Vanden Bussche, professor da Universidade de Pequim. A falta de interesse dos jovens pela política tem causado preocupação no Partido Comunista Chinês, já de olho no futuro para a quinta geração – depois de Mao Tsé Tung, Deng Xiaoping, Jiang Zemin e o atual presidente Hu Jintao. Por isso as autoridades chinesas resolveram mudar de tática e atrair os adolescentes com “instrumentos mais modernos”. Um exemplo foi na comemoração do 110º aniversário de nascimento do líder chinês Mao Tsé Tung, quando o governo de Pequim relançou músicas da revolução com ritmo de rap. |
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