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Atualizado às: 23 de junho, 2006 - 17h36 GMT (14h36 Brasília)
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EUA obtêm dados bancários secretamente
Dezenas de milhares de transferências foram examinadas
O governo americano confirmou a existência de um programa secreto que vem investigando transações internacionais de valores há quase cinco anos.

O esquema peneirou grandes quantidades de dados de um consórcio internacional de bancos e foi revelado pelo jornal americano New York Times nesta sexta-feira.

O Departamento do Tesouro americano afirma que o programa é restrito a transações de estrangeiros sobre os quais recai a suspeita de serem terroristas.

Oficiais do governo insistiram que estavam usando seus poderes de "forma legal".

Apesar de não haver uma conexão direta, o programa traz ecos do programa de escuta de telefonemas e monitoramento de e-mails cuja existência veio recentemente à tona.

Defesa

"Este programa é uma ferramenta eficaz na guerra contra o terror", disse também nesta terça-feira o secretário do Tesouro americano, John Snow.

"Ele faz uma diferença real. Funciona. É baseado em dispositivos legais, tem controles e salvaguardas."

Snow disse que o Tesouro estaria usando "as ferramentas que o Congresso nos deu para rastrear o fluxo do dinheiro terrorista".

"Esses fluxos não mentem, contam uma história e nos levam aos terroristas."

Poderes de emergência

O esquema de rastreamento financeiro foi iniciado após os ataques de 11 de setembro de 2001 e o governo utilizou os poderes emergenciais concedidos pelo Congresso para criá-lo, segundo o jornal.

Os repórteres conversaram com cerca de 20 funcionários do governo e executivos da indústria, que falaram anonimamente sobre o programa.

O governo usou intimações para conseguir acesso aos dados da cooperativa bancária Swift - Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication.

A Swift liga cerca de 7,8 mil instituições financeiras em todo o mundo, incluindo virtualmente todos os grandes bancos e corretoras.

E se estima que movimente cerca de US$ 6 trilhões por dia, principalmente em transferências internacionais.

O programa é de responsabilidade da CIA e é supervisionado pelo Departamento do Tesouro.

Quando ele começou, segundo fontes citadas pelo jornal, os registros de transações em nome de muçulmanos com nomes semelhantes a suspeitos da Al-Qaeda foram peneirados.

Mas a quantidade de transações investigadas foi reduzida depois que oficiais da inteligência foram inundados com informações, a maioria delas inútil.

Controles

Funcionários do governo americano afirmam que o programa ajudou a capturar um membro importante da Al-Qaeda no sudeste da Ásia.

Stuart Levey, sub-secretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, confirmou a existência do programa depois que teve certeza que o New York Times iria publicar uma matéria sobre o assunto.

Ele disse ao jornal Washington Post que o governo "criou controles sólidos para certificar-se de que usa esta informação apenas para propósitos de anti-terrorismo".

Ele assegurou que os analistas só podem acessar os bancos de dados se o tipo de busca que farão tem conexão com terrorismo.

Levey disse que o programa "é legal sem nenhuma dúvida".

Mas há reservas mesmo entre os que participaram do programa. Alguns afiram que um programa que seria temporário em princípio, não deveria estar operando há anos sem autorização formal do Congresso.

A Casa Branca também criticou o jornal por ter revelado a existência do programa.

"Estamos decepcionados com o fato do New York Times ter escolhido expor um programa secreto com o objetivo de proteger os americanos", disse a porta-voz Dana Perino.

O editor-executivo do jornal, Bill Keller disse que continua "convencido que o acesso extraordinário a um vasto arquivo de dados financeiros internacionais, mesmo que com um alvo cuidadosamente planejado, é do interesse público".

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