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Brasil pode atrair investidores assustados com a Rússia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A crise da Yukos, maior empresa de petróleo russa, voltou a colocar em dúvida a segurança dos investidores externos na Rússia e pode acabar beneficiando países emergentes como o Brasil. "Não é uma relação tão direta, mas é evidente que há potencial de realocação destes investimentos", acredita Wilber Colmerauer, diretor da corretora Liability Solutions, em Londres. O governo russo esperava receber US$ 8 bilhões em investimentos diretos externos este ano e, segundo o analista Alexander Nekrassov, que foi assessor do ex-presidente Boris Yeltsin, "os investidores estrangeiros já estavam deixando a Rússia antes mesmo desta crise, que agora, em um certo sentido, saiu do controle". A Yukos é responsável por 4% do PIB russo e seu principal acionista, Mikhail Khordorkovsky, está na cadeia, acusado por fraudes, que ele afirma serem acusações com motivações políticas. Drama O governo Putin deu um prazo à empresa para pagar uma dívida de US$ 3,4 bilhões em impostos até a próxima quarta-feira e a situação se agravou ainda mais nesta segunda-feira, quando bancos credores ocidentais declararam a empresa insolvente para garantir o futuro pagamento de um calote de US$ 1 bilhão em empréstimos. No final de semana, o governo fez uma operação de busca na sede da Yukos e apreendeu documentos. Analistas acreditam que desta vez o governo vai ficar do lado da Yukos e impedir a falência de uma das maiores empresas do país e o que economistas calculam que pode ser a maior perda para investidores estrangeiros desde o calote da dívida russa, em 1998. Mesmo assim, o estrago com o susto pregado nos investidores estrangeiros estaria feito. A competição por investimentos entre os países emergentes é muito grande e eles "estão sendo compelidos a desenvolver suas estruturas de governança e transparência de investimentos, bem como a parte legal que acompanha a garantia do dinheiro que chega de fora", afirma Colmerauer. Reputação A China seria uma exceção entre estes países, por razões particulares. "A Rússia está com uma reputação não muito boa e é um mercado muito importante principalmente na área de petróleo e gás. O Brasil, por outro lado, tem feito o trabalho de casa e melhorado nos últimos anos, o que é uma pré-condição para atrair mais investimentos". Em entrevista à revista Newsweek, Willian Browder, diretor do Hermitage Capital Management, o maior fundo de investimentos na Rússia, disse que "no passado o maior risco era de oligarcas roubarem nossos bens. Agora o maior risco é de o governo nos roubar". Em contraste, o Brasil foi escolhido para sediar a Conferência Internacional de Governança Corporativa, este ano, por ter se mostrado um exemplo entre os emergentes de aumentar a transparência e garantir regras mais claras para investidores. A conferência acontece entre os dias 7 e 9 de julho, no Rio de Janeiro. |
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