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Atualizado às: 01 de julho, 2004 - 03h50 GMT (00h50 Brasília)
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Em dez anos, real perde 62% do poder de compra
Notas de real
Poder de compra do brasileiro no exterior caiu muito mais do que no mercado interno.
O real comemora dez anos de existência nesta quinta-feira com uma perda de 62,6% do seu poder de compra no mercado doméstico. Uma nota de R$ 100 de 1994 tem hoje um poder de compra de R$ 37,40, segundo cálculos da consultoria Global Invest.

A inflação acumulada de julho de 1994 a maio de 2004 (último dado oficial) chega a 167,2%.

Trata-se de pouco, em comparação com o que acontecia antes do lançamento da moeda: só nos seis meses de 1994 que antecederam o real, a inflação acumulada chegou a 757%.

Por outro lado, é muito, se a cifra for comparada à de um país industrializado. Nos Estados Unidos, por exemplo, a inflação acumulada de julho de 1994 a maio de 2004 ficou em 27,7%.

Picos

Desde o lançamento do real, o ano de pico da inflação foi 1995, quando o IPCA fechou em 22,15% nos 12 meses.

No ano da desvalorização do real, 1999, o IPCA fechou em 8,9%, bem abaixo das previsões catastróficas – de uma inflação de mais de 50% no ano – que se multiplicaram depois que acabou o sistema de bandas cambiais.

Em 2002, ano da crise de confiança provocada pelas eleições presidenciais, a inflação fechou em 12,5% e no ano passado, o aperto da política monetária e fiscal conteve o IPCA em 9,3%.

 A Rússia tem uma inflação média de 12% a 15% ao ano, mas cresce 6% por ano. Se o Brasil tivesse tido um nível de inflação semelhante no ano passado, o PIB não teria caído 0,2%.
Alex Agostini, economista da consoltoria Global Invest

O economista Alex Agostini, da Global Invest, acha que o Brasil poderia ter uma inflação mais elevada e crescer mais.

“A Rússia tem uma inflação média de 12% a 15% ao ano, mas cresce 6% por ano. Se o Brasil tivesse tido um nível de inflação semelhante no ano passado, o PIB não teria caído 0,2%”, diz.

Para Carlos Mussi, economista da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe, um órgão das Nações Unidas), essa discussão não se aplica a um país com um histórico de inflação elevada como o Brasil.

“É como a discussão no AA (Alcoólicos Anônimos), em que a pessoa diz que se tomar um ou dois goles não volta ao vício”, diz Mussi.

“O Banco Central tem essa síndrome e é correta. Ainda existe a indexação de alguns preços, o que poderia contaminar o resto se a inflação for mais elevada.”

Mercado externo

Em julho de 1994, ao preço da cesta básica em São Paulo era de R$ 67,40, segundo o Dieese.

Em maio de 2004, a cesta básica em São Paulo sai por R$ 168,68, de acordo com a tabela do mesmo órgão.

O poder de compra do brasileiro no exterior caiu muito mais do que no mercado interno.

Quando foi lançado, o real valia bem mais do que o dólar: bastavam 83 centavos para comprar um dólar.

Foi o auge da febre das viagens, dos importados, das compras no exterior e das lojas em que tudo custava R$ 1.

Essa fase acabou com a desvalorização do real em janeiro de 1999 e a adoção do regime de livre flutuação da moeda.

Dez anos depois, o brasileiro precisa de R$ 3,10 para comprar US$ 1.

As viagens e as compras em Miami caíram, mas as exportações se multiplicaram e o país registra saldos recordes na balança comercial.

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