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Redução da Merrill Lynch é 'volta à realidade', dizem analistas
O rebaixamento da recomendação dos papéis da dívida brasileira pelo banco de investimentos Merrill Lynch nesta segunda-feira foi interpretado por analistas no exterior como uma volta à realidade. "A lua-de-mel tem que chegar a um fim, o casamento continua. E essa lua-de-mel empolgou tanta gente que alguns se esqueceram da realidade que é: o Brasil tem muitos problemas que não vão ser resolvidos da noite para o dia", disse à BBC Brasil Joel Velasco, vice-presidente da consultoria Stonebridge International, de Washington. Apesar de economistas como Velasco lembrarem que o Brasil ainda está em uma posição delicada, o motivo apontado pela Merrill Lynch para o rebaixamento – de "acima da média" ("overweight") para "na média do mercado" ("marketweight") – nem diz respeito à crise que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta: é a valorização dos papéis do Tesouro americano, que estariam atraindo mais investidores para os Estados Unidos. Segundo Felipe Illanes, diretor-adjunto para o Brasil da Merrill Lynch, a mudança é um reflexo da valorização dos papéis do Tesouro americano. Renda Fixa "Tem gente que está se concentrando nisso (a crise interna), mas o nosso relatório destaca que o principal motivo não são as reformas, mas uma estratégia global que torna a nossa carteira mais defensiva em função, sobretudo, de um investimento em títulos do Tesouro americano. Eles estão com mais vantagens sobre outros produtos de renda fixa", explicou à BBC Brasil Felipe Illanes. Apesar disso, a medida lembrou alguns da situação que o Brasil enfrentou em maio do ano passado, depois de outro banco influente, o Morgan Stanley, fazer uma recomendação semelhante aos seus investidores. Na época, o rebaixamento do Morgan Stanley coincidiu com o início de um processo de fuga de capital que desvalorizou bastante a moeda e os títulos brasileiros. Em seu relatório sobre a medida desta segunda-feira, a consultoria Global Invest, por exemplo, prevê como conseqüência, outra vez, a saída de capital do país e uma nova desvalorização do real. "Acho que alguns analistas vão dizer isso, mas nos fatores fundamentais, o Brasil está bem. O país trocou o seu presidente, trocou um partido de centro-direita por um de esquerda e continua bem. Quer dizer, o otimismo ainda existe", defende o economista Walter Molano, da corretora de pesquisas financeiras BCP Securities. "Então, o país continua com política monetária forte e ainda tem que baixar a taxa de juros. O que mudou foi a valorização dos títulos do Tesouro nos Estados Unidos, que influenciou o mercado de renda fixa", completa Molano. O economista da Merrill Lynch, Felipe Illanes, confirma a avaliação, lembrando que – mesmo com o rebaixamento – o relatório do banco ainda mantém a percentagem de 18,8% de títulos da dívida brasileira na sua carteira de investimentos. "Uma percentagem muito alta", ressalta Illanes, que também acredita que o relacionamento entre os mercados e o Brasil está entrando em uma segunda fase, com menos altos e baixos que a primeira. Reformas Enquanto a alta dos títulos americanos no mercado internacional provoca baixas na confiança dos investidores, no Brasil, a reforma da Previdência continua enfrentando dificuldades no Congresso. Para o analista Joel Velasco, essa conjuntura interna também inspira cautela. "A votação é um ponto importante. Um segundo ponto seria a apresentação de medidas de apoio sociais à população, para que Lula consiga manter o seu capital político, as suas bases. Em terceiro, seria indicar as suas prioridades, como ele já fez ao cancelar a viagem à África por causa da votação da reforma da Previdência", diz Velasco. "O mais importante é que, no caso do Brasil, os números estão muito bem. O superávit está bem acima do que quer o FMI, que deve estender o acordo e o dólar, apesar de ter subido um pouco, está razoavelmente estável. O que está mudando é uma maior cautela dos investidores que, talvez, estivessem um pouco eufóricos antes", completa o analista. |
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