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Crescimento do PIB é ainda um dos menores entre emergentes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O crescimento PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no primeiro trimestre do ano foi melhor do que o esperado pela maioria dos analistas de mercado, mas ainda está aquém do desempenho da economia da grande maioria dos países emergentes no mesmo período. O PIB do Brasil cresceu 1,6%, em comparação ao trimestre anterior, e 2,7%, em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho da China no mesmo período foi de 9,8% (em relação ao mesmo período de 2003). Ainda na Ásia, a Malásia cresceu 7,6%. No Chile, o crescimento foi de 4,8% e, no México, de 4,6%. Outro vizinho do país com desempenho bem mais forte que o brasileiro é a Venezuela, cujo PIB deu um salto de 29% entre 2004 e 2003, embora em boa medida o resultado se deva ao grande aumento do preço do petróleo, principal produto de exportação do país. A Argentina também teve um salto muito superior ao do parceiro do Mercosul: 10,5%. Embora existam peculiaridades em cada país - como deixa claro o caso venezuelano -, a diferença entre o que ocorre no Brasil e na grande maioria dos outros países emergentes mostra que o país tem sérias restrições internas para crescer e não tem conseguido se beneficiar da onda de crescimento que tem ocorrido em outras nações com características semelhantes. Gargalos "O grande problema do Brasil é que há gargalos estruturais que limitam o crescimento do PIB potencial a algo entre 2,8% e 3% ao ano. Tentativas de crescimento superiores a esta podem gerar apenas inflação sem benefício de crescimento", diz o economista-chefe para a América Latina do Banco HSBC, Paulo Vieira da Cunha. "O crescimento do PIB brasileiro neste ano deve ficar abaixo do previsto para outros países emergentes, mas não acredito que isto seja decorrência de políticas monetárias conservadoras (juros altos) e sim da falta de capacidade de investimento dos setores público e privado brasileiro", diz o diretor para a América Latina da área de pesquisa de investimento da consultoria Idea Global, de Nova York, Ricardo Amorim. O economista diz que o Estado gasta dinheiro demais com o pagamento de funcionários ativos e inativos e acaba tendo de cobrar mais impostos para cobrir a conta. O resultado disso, diz Amorim, é que não sobra dinheiro nem para o governo, nem para o setor privado investir em atividades produtivas. "E o Brasil é o país que mais arrecada impostos entre os emergentes, com uma média de 38% do PIB, enquanto nos outros países em desenvolvimento o índice é em média de 21%. Nos últimos 25 anos, a América Latina cresceu em média 2,6% ao ano, enquanto no Brasil o crescimento médio ficou em 2,1% ao ano." Amorim afirma que o Chile é um destaque na América Latina, com um crescimento do PIB bom e constante. "É verdade que o Chile é uma economia bem menor do que a brasileira, mas acho que pode ser uma boa base de comparação. Comparar com a Argentina traz muitas distorções porque o PIB deles pode até crescer 10% neste ano, mas ainda vai estar 15% abaixo do nível de cinco anos atrás", diz. Para Paulo Vieira da Cunha, uma boa comparação é com o México, que deve ter neste ano um crescimento semelhante ao brasileiro, entre 3% e 3,5%. "Mas em relação aos dados do primeiro trimestre deste ano o México teve um resultado surpreendentemente bom", disse Cunha. Para o economista da corretora paranaense Global Invest, Alex Agostini, o governo brasileiro exagera em sua política monetária nas reações a crises internacionais. "Sempre que há uma turbulência fora os juros são elevados de maneira absurda. Um aumento de juros tem de ser dosado e, na minha opinião, a meta de inflação pode ser flexibilizada", diz o economista. Agostini diz que o governo está tomando passos importantes para melhorar o ambiente de negócios no país. "As medidas adotadas para incentivar a construção civil, por exemplo, foram muito boas porque este é um setor que tem grande impacto na economia. Mas não adianta melhorar o setor microeconômico (atividade empresarial e a economia no dia-a-dia) se não há mudanças no cenário macroeconômico (taxas de juros e inflação, por exemplo)." |
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