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Amorim: Acordo com UE 'pode ser exemplo para Alca' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira que o acordo que está sendo negociado entre o Mercosul e a União Européia pode ser um exemplo a ser seguido nos entendimentos com os Estados Unidos para criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). “Claro que pode haver um certo paralelismo, mas esse paralelismo se dá mais no sentido positivo”, explicou o chanceler em Guadalajara, no México, onde participa da III Cúpula América Latina, Caribe e União Européia. “Acho que se nós avançarmos nessa negociação como pretendemos avançar, isso pode até servir de exemplo para Alca, para encontrar soluções pragmáticas para seus problemas.” O chanceler voltou a mostrar otimismo com a possibilidade de o acordo com os europeus seja fechado, e disse que a chance de que um entendimento de livre comércio entre Mercosul e União Européia seja fechado até outubro é de 90%. “É possível terminarmos em outubro, a meta é fechar até outubro, mas eu não posso dizer que seja um compromisso jurídico. (...) Eu não posso dizer que é certo que faremos isso, mas eu estou bastante otimista, eu acho que nós temos 80%, talvez até um pouquinho mais, 90% (de chance) de fechar o acordo”, disse. Dúvidas Até o momento, as declarações de ambos os lados deixavam muitas dúvidas sobre a viabilidade do prazo estabelecido pela atual Comissão Européia, cujo mandato termina em outubro. Mas nesta quinta-feira, após uma reunião realizada paralelamente à cúpula, autoridades européias e sul-americanas adotaram um tom mais otimista. “Temos uma janela de oportunidade devido à situação econômica e política mundial e muito a perder se a assinatura não for fechada ainda neste ano”, disse o ministro Celso Amorim. O comissário europeu responsável pelo comércio exterior, Pascal Lamy, seguiu linha semelhante. “Tínhamos duas grandes perguntas: a primeira, se queremos um acordo de grande escala, ou se já chegamos a um ponto de exaustão e o que temos seria melhor que nada”, disse Lamy. “E a resposta é que queremos um acordo em grande escala.” “A segunda pergunta é se é possível manter o prazo que nós impusemos a eles”, continuou Lamy. “A resposta para esta pergunta é sim.” Setores excluídos As declarações dos diplomatas coincidem com comentários de um alto negociador argentino que falou sob condição de anonimato. Ele deu a entender que os principais problemas estão resolvidos, e a questão agora é mais de como vai ser feito e redigido o acordo do que o que entra ou não. Segundo ele, alguns setores importantes para a economia brasileira vão ficar de fora: papel e celulose, têxtil, calçados, bens de capital e parte das indústrias de siderurgia e autopeças. “Mas isso não é uma coisa rígida”, comentou. “Num primeiro momento estas questões ficarão de fora, mas o acordo pode evoluir” mesmo depois de uma eventual assinatura, disse ele. Alvo possível O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse que a reunião foi muito produtiva e serviu para resolver mal-entendidos. “Houve unanimidade entre os ministros ao final da reunião de que a data de outubro é um alvo não só possível, como provável, e que deve ser perseguido”, afirmou o ministro. “Muitos mal-entendidos foram resolvidos, de interpretação e até de desconhecimento”, continuou o ministro. “Uma reunião que começou mais tensa foi se descontraindo e terminou de modo muito positivo.” |
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