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Analistas prevêem consumo e emprego melhor no 2º semestre | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O índice de crescimento da economia divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE surpreendeu positivamente o mercado e aponta para melhorias no consumo e na oferta de trabalho, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil. O IBGE registrou um crescimento de 2,7% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. "É bem possível que, na segunda metade do ano, vejamos o consumo empurrando o crescimento econômico, e daí a sensação de que a economia está se expandindo vai ficar mais clara", disse Arturo Porzecanski, economista-chefe de mercados emergentes do ABN-Amro, em Nova York. "Nós apostamos em uma melhora mais expressiva no mercado de trabalho, mais ou menos no terceiro trimestre deste ano", afirmou Nuno Câmara, economista-sênior para América Latina do banco de investimento Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW). Mensagem O DRKW havia recentemente elevado sua projeção de crescimento da economia brasileira de 3,5% para 3,7% em 2004. Mesmo assim, segundo Câmara, o dado divulgado nesta quinta-feira passou as expectativas e pode ter efeitos importantes para o governo Luiz Inácio Lula da Silva. "No início do ano havia tanto ruído, e a imprensa havia sido tão negativa com o governo, que o investidor estrangeiro não podia enxergar os sinais positivos da economia", disse Câmara. "Agora, o investidor pode ficar mais confiante, e o governo ganha capital político em Brasília." Porzecanski indicou que também pode elevar a sua avaliação de crescimento da economia brasileira. "Ainda estamos trabalhando com um crescimento para 2004 de uma taxa perto de 3,5%, mas, se o ritmo continuar forte, podemos falar de algo mais perto de 4%." O economista observa que o índice dessazonalizado no primeiro trimestre, em comparação com o último trimestre de 2003, indica um crescimento de quase 6%, mas isso se deve ao baixo patamar em que a economia chegou no ano passado. "Já temos seis meses sólidos de um crescimento acelerado", disse Porzecanski. "Achamos que vai continuar, mas não neste ritmo." Noção Caso suas previsões se confirmem, Porzecanski diz que as pessoas vão começar a ter mais noção de que a situação está melhorando. "O que acontece é que as fontes do crescimento até o momento não foram o consumo", diz o economista do ABN-Amro. "Para o povo, é difícil ter nas mãos o efeito do crescimento econômico, porque ele veio sobretudo do lado das exportações, aumento das despesas do governo e investimento." Nuno Câmara afirma que deve acontecer no Brasil algo parecido com o que houve nos Estados Unidos, onde a criação de empregos só começou a ser notada depois de vários meses de recuperação do ritmo do crescimento econômico. |
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