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Estratégia com Argentina pode enfraquecer Brasil, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, se encontram nesta terça-feira, no Rio, para discutir uma estratégia comum dos dois países em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o professor Francisco Panizza, especialista em América Latina da London School of Economics, o resultado da reunião não deve passar de uma declaração retórica. Do contrário, pode até ser ruim para o Brasil. "O que pode acontecer, se a estratégia comum saísse do papel, seria enfraquecer o Brasil", diz Panizza. "Na semana passada, o presidente Lula reafirmou muito enfaticamente a direção da política econômica que seu governo tem mantido até agora. O principal dessa política tem sido a manutenção do superávit primário acertado com o FMI". "Então, não consigo ver que agora o presidente Lula vai dizer alguma coisa completamente diferente do que tem dito, não só na semana passada, mas desde que ele assumiu o poder", acrescenta. 'Chantagem' Panizza lembra que o Brasil fixou uma meta de superávit primário superior à que desejava o FMI, enquanto a Argentina quer um superávit primário menor do que gostaria o Fundo. Por isso, o professor acha que o Brasil teria que mudar a política econômica se quisesse adotar uma estratégia comum com a Argentina. Ele diz que o Fundo tem sido acusado de ter cedido demais às pressões do governo argentino. "Os críticos do FMI dizem que ele tem sido sensível demais com relação à Argentina por aceitar o jogo dos argentinos de praticamente, segundo dizem alguns, chantagear o FMI", observa. No entanto, o professor considera possível que o Fundo seja mais sensível à demanda do governo brasileiro de excluir os investimentos do cálculo do superávit primário. Se essa mudança for adotada, o governo teria mais recursos para investir em infraestrutura. "Com relação ao Brasil, talvez tenha algumas possibilidades de o FMI atender o que tem procurado o governo do Brasil, de retirar os investimentos do superávit primário, fazer alguma coisa mais flexível", diz. "Mas isso seria decorrente da própria evolução da economia brasileira, mais do que uma aliança com o presidente Kirchner. Acho que a aliança com o presidente Kirchner no sentido de uma estratégia com o FMI seria contraproducente, mais do que conducente", acrescenta. Panizza diz que a diferença entre as políticas econômicas dos dois países não deve permitir que a declaração da reunião entre os dois vá além da retórica. "Não consigo ver que a reunião possa resultar em uma estratégia comum, porque seria fazer totalmente o oposto do que os dois presidentes estão fazendo", argumenta. "Pode ser que o presidente Lula apóie as tentativas do presidente Kirchner de trabalhar com o FMI, mas não vai passar além disso". "Como a dita declaração de Buenos Aires, deve ser uma retórica da justiça, do confrontamento com os poderosos, até talvez com o FMI, mas na prática o resultado não vai ser relevante para nenhum dos dois países." |
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