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Com dinheiro em caixa, chineses investem no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Além dos investimentos superiores a US$ 3 bilhões anunciados nos últimos dias na área de mineração e siderurgia, a China também estuda projetos no Brasil em outras áreas. "A China tem abundância de dinheiro e precisa de madeira, aço, soja, carne, coisas que o Brasil produz", resume o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, referindo-se às elevadas reservas internacionais chinesas, de cerca de US$ 500 bilhões. Além dos sucessivos superávit comerciais acumulados nos últimos anos, a China tornou-se no ano passado o maior destino de investimentos estrangeiros, ultrapassando os Estados Unidos, que ocupavam o posto há muitos anos. Com isso, agora tem recursos de sobra para investir sua própria poupança interna em outros países. No ano passado, quando o Brasil recebeu US$ 10,7 bilhões em investimento direto, a China não apareceu nem na lista dos 26 maiores investidores, compilada pelo Banco Central. O maior investidor foi os Estados Unidos, com um volume de US$ 2,38 bilhões. O investimento chinês entrou no item outros, com um volume de US$ 359 milhões, que no ano passado representou 2,8% do total. Mudança O presidente da Câmara Brasil-China acha que a situação muda bastante a partir deste ano. Além dos projetos siderúrgicos, ele cita o projeto de uma madeireira no Pará, com um investimento previsto de US$ 10 milhões, e uma parceria entre uma empresa chinesa e uma brasileira para montar tratores chineses no Brasil. "Há interesse dos chineses também em plantar soja e talvez criar gado, sempre em parceria com empresários brasileiros", afirma. Tang informou ainda que o governo chinês também está interessado em participar de projetos para modernizar a infra-estrutura das ferrovias brasileiras. "Se as empresas brasileiras apresentarem projetos, os chineses teriam interesse em fornecer vagões, locomotivas e até em entrar com recursos", afirmou. O presidente da Câmara de Comércio diz que o Brasil não é exatamente a prioridade da China, mas acha que os dois países estão se descobrindo agora e têm muitas oportunidades de negócios. "O Brasil tem o que a China necessita", afirma. Além das oportunidades comerciais, Brasil e China também vêem oportunidades de uma parceria estratégica mais ampla. Da parte brasileira, o interesse é confirmado pela viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará ao país, na última semana de maio. "A China é um mercado gigantesco. E com dinheiro para comprar", afirma Tang. O presidente da Câmara de Comércio diz que o Brasil não é exatamente uma prioridade para a China, mas acha que os dois países estão se descobrindo agora e têm muitas oportunidades de negócios. "O Brasil tem o que a China necessita", afirma. Crescimento O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, diz que o investimento chinês é o que mais cresce no Brasil, mas lembra que a base de comparação dos anos anteriores ainda é muito baixa. Um estudo da Unctad coloca o Brasil em 12º na lista dos que mais receberam investimentos chineses. Entre 1979 e 2002, foram 67 projetos, com um volume acumulado de US$ 120 milhões. Os maiores destinatários de investimentos chineses são Hong Kong, hoje integrado à China continental, Estados Unidos e Canadá. Este ano, porém, só os três projetos já anunciados mostram que haverá um salto neste volume. Além dos US$ 3 bilhões anunciados em Genebra – US$ 1 bilhão pela China Aluminium Group, num projeto com um sócio brasileiro ainda não escolhido, e US$ 2 bilhões pela China Minmetals Group – a chinesa Baosteel anunciou nesta segunda-feira na China uma joint-venture com as brasileiras Companhia Vale do Rio Doce e Arcelor para a construção no Maranhão de uma grande usina siderúrgica para produzir placas de aço para exportação. As empresas contrataram duas consultorias para realizar os estudos de viabilidade de uma usina com capacidade inicial de 3,7 milhões de toneladas por ano com previsão de expansão para 7,5 milhões. As empresas não confirmaram, mas o volume de investimento é estimado por analistas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões, para ser concretizado nos próximos anos até a entrada em operação, em 2007. |
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