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China desponta como investidor externo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um estudo da Unctad mostra que a China não só foi país que mais recebeu recursos externos nos últimos anos como também se tornou recentemente um importante investidor em outros países. De uma média anual de US$ 400 milhões nos anos 80, o investimento chinês produtivo no exterior passou para US$ 2,3 bilhões ao ano nos anos 90, até atingir o total acumulado de US$ 35 bilhões no fim de 2002 – volume semelhante ao investido no exterior por países como a República da Irlanda e Portugal. "É um processo natural. A grande quantidade de recursos externos que entrou na China nos últimos anos libera a poupança interna para investimento em outros países", diz Alexandre Lintz, economista-chefe do banco BNP-Paribas no Brasil. Ele vê nos investimentos no setor de mineração anunciados no Brasil a estratégia de controlar a cadeia produtiva. A China já é forte no setor intermediário e com as associações com empresas brasileiras passaria a controlar o minério de ferro, onde o Brasil tem custos competitivos por causa da grande quantidade de matéria-prima básica e usinas de transformação modernas. "É um processo natural para tentar controlar o preço dos insumos e reter o lucro", diz Lintz. Essa tendência de investimento no setor primário já ocorreu no ano passado. Os recursos estrangeiros nesse setor aumentaram de 3,4% do total em 2002 para 11,5% em 2003, justamente com aumento dos investimentos na extração de minerais metálicos. Nos anos anteriores, com a privatização, houve muito investimento estrangeiro no setor de serviços. Lacerda vê na China um fenômeno parecido com a internacionalização de empresas nacionais que ocorreu na Coréia do Sul, hoje o único país asiático com marcas mundiais – como LG, Hyundai, Daewoo. "O próximo é a China e depois a Índia. Enquanto isso o Brasil continua patinando", diz. Ele não acredita, no entanto, que a China tenha tecnologia para sustentar a consolidação de marcas para o consumidor final, como as coreanas. "É um processo limitado, que deve ficar no setor de indústria pesada", afirma. Receptor Entre 1990 e 2002 a China recebeu US$ 420 bilhões, um crescimento anual de 27%. Nem mesmo a crise de 2000, que reduziu os investimentos das multinacionais em 53% nos dois anos seguintes, abalou a China. Entre 2000 e 2002 o fluxo de capital externo produtivo para o país aumentou 30%. No ano passado o país liderou os investimentos externos, passando à frente até mesmo dos Estados Unidos. O economista Alexandre de Freitas Barbosa, consultor-associado da Prospectiva Consultoria Internacional, lembra, no entanto, que apesar dos volumes elevados, os investimentos externos representam apenas 10% da formação bruta de capital fixo do país. Para isso contribuiu, segundo ele, a estratégia política do governo chinês de só permitir a entrada de capital estrangeiro no país em associações com empresas chinesas, que detêm 50% do capital e mantêm no país o controle das decisões. Brasil Depois de cair no ano passado para o menor nível desde 1996 – depois do pico de quase US$ 30 bilhões em 2002 e 2001 -, todas as previsões apontam para um crescimento no volume de investimentos direto que o Brasil vai receber este ano, mas as projeções variam de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões. O economista Julio Callegari, da consultoria Tendência, estima um volume total de US$ 13 bilhões, com redução de conversão de dívida e aumento de capital novo entrando no país. Nos últimos dois anos, diz ele, metade dos investimentos entrou na forma de conversão de dívida – em vez de pagar, o devedor brasileiro oferece participação na empresa ao credor estrangeiro – o que pode deixar em dúvida se o investidor desejava mesmo fazer o investimento ou considerou que esta era a única maneira de receber seus créditos. "Agora a conversão está caindo, e o investimento está crescendo mesmo”, diz Callegari. |
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