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OCDE prevê recuperação econômica desigual no mundo
A atividade econômica mundial está em recuperação, com melhora das condições dos mercados financeiros, e a perspectiva de os investimentos finalmente assumirem o lugar do consumo como motor da economia, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas em seu relatório semestral, Economic Outlook, a OCDE diz que a recuperação é desigual. O crescimento está sendo puxado pelos Estados Unidos e - "de forma pouco usual, devido ao desempenho medíocre da última década" - pela retomada surpreendentemente forte do Japão. A zona do euro está rumando para a recuperação e deve receber "algum apoio da recuperação mundial, mas é improvável que se livre completamente de sua lentidão considerável nos próximos dois anos", segundo o relatório. A organização diz que há risco de essa recuperação ser afetada pela valorização recorde do euro em relação ao dólar. O crescimento nos países da OCDE (grupo dos países mais ricos do mundo, mas que também inclui o México) deve ficar em 2% neste ano e 3% em 2004. Neste ano, a expansão deve ser de 2,9% nos Estados Unidos, 2,7% no Japão, e 0,5% na zona do euro. Juros nos EUA A OCDE também estima que haverá um modesto aumento das taxas de juros nos Estados Unidos em 2004. O relatório prevê que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve assumir uma política monetária mais neutra no primeiro semestre do ano que vem. A inflação deve ficar sob controle não apenas nos Estados Unidos, mas nas economias dos países desenvolvidos, de forma geral. O crescimento nos Estados Unidos deve chegar a 4,2% em 2004 e a 3,8% em 2005. "Com a projeção de que a demanda deve avançar rapidamente nos próximos trimestres, devem se reduzir os riscos de estagnação da retomada da economia (americana)", diz o relatório. Para a OCDE, a maior preocupação em relação aos Estados Unidos é a situação fiscal, pois o governo americano saiu de um superávit em 2000 para um déficit que, segundo estimativas de economistas, pode chegar a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. Déficit A economia dos 12 países que formam a zona do euro chegou à beira da recessão neste ano, mas deve crescer 1,75% em 2004 e 2,5% em 2005, segundo a OCDE. O relatório sugere que a economia da região começou a se recuperar no último verão (do Hemisfério Norte), mas "a retomada parece ser modesta devido à deterioração das perspectivas de emprego". De acordo com a OCDE, o euro – que se valorizou em 20% em dois anos – pode continuar nesse processo devido "aos desequilíbrios globais" e uma nova valorização da moeda única "pode abalar a recuperação" da zona do euro. Na terça-feira, os ministros de Finanças da União Européia fizeram um acordo para evitar punições a França e Alemanha que, pelo terceiro ano consecutivo, terão um déficit nominal do orçamento superior a 3% do PIB, que era o limite previsto no Tratado de Maastricht (que fixou os fundamentos macroeconômicos para a estabilidade do euo). No relatório divulgado nesta quarta-feira, a OCDE adverte abertamente contra a flexibilização das regras. "Um relaxamento ainda maior da política fiscal na atual situação pode falhar ou mesmo ser contraprodutivo", diz o relatório. O Economic Outlook também prevê que as taxas de juros do Banco Central Europeu devem ser mantidas nos atuais 2% ao ano. América do Sul O relatório diz que a recuperação das economias da América do Sul está se firmando em 2003, e sendo puxada pelas exportações. A OCDE prevê que a região deve crescer 1,5% neste ano, podendo chegar a taxas mais elevadas nos anos seguintes por causa da retomada do comércio mundial. No entanto, ainda há riscos "associados à continuação de fluxos fracos de investimentos diretos estrangeiros e outros fluxos de recursos", diz o Economic Outlook. Segundo a OCDE, a Argentina está se recuperando, apoiada em "liderança política mais forte, acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e aumento das exportações líquidas". Mas a consolidação dessa retomada depende da "reestruturação dos bancos e das empresas, parcialmente falidas e da grande dívida externa da Argentina". |
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