BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 20 de novembro, 2003 - 08h24 GMT (06h24 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Nafta beneficiou pouco o México, diz estudo

protestos em miami contra alca
Em Miami, estão ocorrendo protestos contra a Alca

O Nafta (Acordo de Livre Comércio entre México, Estados Unidos e Canadá, na sigla em inglês) beneficiou muito pouco a economia do México, segundo estudo do Carnegie Endowment for International Peace, um instituto de pesquisas independente com base em Washington.

O acordo completa dez anos em janeiro e o estudo conclui que, no México, foram criados empregos na indústria, mas a perda de postos de trabalho na agricultura foi muito maior.

"O crescimento sem precedentes do comércio exterior, o aumento em produtividade e uma explosão em investimentos diretos e em portfólio levaram a um aumento de 500 mil empregos na indústria de 1994 a 2002. O setor agrícola, onde ainda trabalham quase 20% dos mexicanos, perdeu 1,3 milhão de empregos desde 1994", diz o estudo.

Os salários reais no México estão abaixo do que eram antes do início do Nafta, embora o estudo ressalte que isso foi provocado pela crise do peso em 1994-95. Mas o instituto também concluiu que o aumento de produtividade não se traduziu em ganhos salariais e, apesar das previsões, os salários no México não convergiram com os dos Estados Unidos, como estava previsto.

Agricultura

O Nafta também não reduziu o fluxo de migração de mexicanos mais pobres para os Estados Unidos em busca de emprego, como previsto.

Segundo o estudo, houve um "aumento dramático no número de migrantes para os Estados Unidos, apesar de aumento inédito no controle da fronteira".

"Posto de forma simples, o Nafta não foi o desastre que seus opositores previam e nem o salvador aclamado por seus patronos", diz o Carnegie Endowment for International Peace.

Mas o estudo mostra os impactos negativos do acordo de livre comércio para a agricultura no México.

Conclui que o impacto geral do Nafta sobre o México ainda está confuso, mas para as famílias na área rural do país, o resultado é "claro e desanimador".

Na opinião de Nulle Grant, do Council on Hemispheric Affairs e especialista em Nafta, uma das explicações para o acordo não ter representado o salto esperado para o México está no seu formato.

“Apesar do nome, (o Nafta) não é um acordo de livre comércio e sim um acordo de comércio gerenciado, já que as fortes políticas protecionistas americanas permanecem intocadas”, disse ele.

Para Grant, é justamente essa condição que coloca o México em desvantagem em relação aos Estados Unidos e que barra um ganho maior com o acordo.

O especialista acrescenta, porém, que do ponto de vista dos setores que se beneficiam do comércio exterior os ganhos com o Nafta são inegáveis.

Gradualismo e recursos

As famílias mexicanas da área rural desenvolveram estratégias para atender sua necessidade de sobrevivência que levaram à piora no impacto da atividade sobre o meio ambiente e à busca de empregos informais nas maquiladoras para compensar perda de renda.

O estudo faz recomendações para os países em desenvolvimento que estão interessados em livre comércio.

Recomenda que esses países negociem "cronogramas mais longos e graduais para redução de tarifas de produtos agrícolas importados de países ricos" e salvaguardas para proteger suas safras de exportações de produções subsidiadas.

Diz também que os países em desenvolvimento deveriam barganhar por apoio financeiro "substancial" de seus parceiros comerciais e de organizações internacionais para garantir os ajustes à transição provocada pelos acordos de livre comércio.

'Consumidores'

A liberalização comercial está enfrentando uma crise de legitimidade no mundo todo, "de agricultores na América Latina, a produtores de algodão na África e trabalhadores na indústria dos Estados Unidos e Europa", segundo o instituto.

Para recuperar o apoio da sociedade, o estudo recomenda que os governos devem "parar de fazer promessas vazias de que a liberalização comercial por si só vai criar empregos ou um meio ambiente mais despoluído".

Também devem reforçar a capacidade das economias dos países de resistir a choques quando expostas ao mercado global, melhorando estratégias de desenvolvimento de longo prazo.

"As necessidades dos países em desenvolvimento devem ser levadas em consideração nas negociações comerciais de maneira verdadeira para criar oportunidades reais de desenvolvimento e crescimento, de tal forma que os cidadãos desses países também se tornem consumidores na economia global", diz o estudo.

"É assim, a longo prazo, como todos vão alcançar maior prosperidade".

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade