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China e Índia não sofrem com crises e crescem mais que Brasil
O Brasil vem perdendo feio na divisão de crescimento dos países emergentes nos últimos anos, especialmente se comparado a países como China e Índia. Uma das grandes diferenças entre o Brasil e os outros dois é que China e Índia conseguiram se proteger das crises financeiras que abalaram a maioria dos emergentes desde 1997, com a desvalorização das moedas dos países do sudeste da Ásia. As crises levaram à queda no fluxo de investimentos estrangeiros para emergentes. No caso do Brasil, houve fuga de capitais e, como o país tem elevada dependência de recursos externos, o crescimento da economia foi afetado. Opção "Índia e China não sofreram com as crises financeiras dos últimos anos", avalia Paul Rawkins, analista sênior da agência de classificação de risco Fitch Ratings. "E a China, mais do que a Índia, usou os choques externos e suas influências para avançar nas reformas econômicas. Foi esse o caso na crise da Ásia e na entrada (do país) na Organização Mundial do Comércio (OMC), ambos tratados pelas autoridades chinesas como 'despertadores' para acordar". Para o economista e professor da Universidade de Sussex, Ricardo Gottschalk, o que fez toda a diferença no caso do Brasil foi a opção de política econômica feita no início da década de 1990. Segundo ele, isso é especialmente verdade em relação à diferença nas taxas de crescimento do Brasil e da Índia. "Embora os dois países tenham promovido liberalização econômica no início da década de 1990, o processo de liberalização no Brasil foi muito mais rápido e, além disso, incluiu a liberalização da conta de capital", diz Gottschalk. "Essa liberalização da conta de capital fez com que o Brasil ficasse bastante vulnerável à volatilidade dos fluxos de capitais externos e ao efeito contágio." "Na Índia, embora também tenha sido promovida liberalização econômica no início dos anos 1990, em resposta à crise de balanço de pagamentos que sofreu no início da década, o processo de liberalização foi muito mais cauteloso", explica. A China também se protegeu das crises, porque manteve os controles sobre entrada e saída de recursos, segundo o professor. Anos Collor Para Gottschalk, a decisão crucial foi tomada pelo Brasil em 1991, durante o governo do então presidente Fernando Collor. Naquele ano, o Brasil acabou com os controles de entrada e saída de capital externo no país em forma de carteira. Ou seja, passou a permitir que investidores estrangeiros aplicassem na bolsa de valores, podendo retirar os recursos a qualquer momento, sem qualquer restrição. O governo de então acabou inclusive o período de carência em que os investimentos precisariam ficar no país. Mas Gottschalk acredita que o Brasil não poderia reverter essa abertura agora, especialmente porque é pequeno o fluxo de recursos para emergentes e porque o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda está em fase de reforçar a credibilidade do país nos mercados financeiros. Exportação Na Índia, a entrada e saída de capitais externos era totalmente controlada, mas a liberalização começou a se acelerar nos últimos anos, porque o país começou a acumular reservas cambiais. No fim de 2002, a Índia contabilizava US$ 75,7 bilhões em reservas, o que corresponde a 10,4 meses de suas obrigações com o exterior, segundo dados da Fitch. "A Índia agora está em condições de promover essa liberalização da conta de capitais, mas ainda assim, não avançou tanto quanto o Brasil, que avançou em um espaço muitíssimo mais curto de tempo", diz o professor. Mais recentemente, a Índia também vem se beneficiando de um crescimento das exportações. Setores dinâmicos A Índia conseguiu ampliar sua fatia do comércio mundial de 0,52% para 0,71% entre 1990 e 2001, segundo a Fitch. A parcela do Brasil no total de exportações mundiais ficou praticamente estagnada nesse período, passando de 0,91% para 0,95%, de acordo com os mesmos dados. "As exportações indianas são em setores mais dinâmicos do que as do Brasil. A demanda cresce mais nessas áreas", diz Gottschalk. O maior crescimento das exportações indianas tem sido na área de serviços, especialmente alta tecnologia e informática. |
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