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Interesse em rotas internacionais dificulta fusão Air France-KLM, diz analista
A fusão das companhias aéreas francesa Air France e holandesa KLM, anunciada nesta terça-feira, poderia ser mais completa se fosse realizada entre duas empresas do mesmo país, diz o diretor da consultoria de transportes aéreos Multiplan, Paulo Sampaio. De acordo Sampaio, a fusão total levaria à redução das ofertas de vôos internacionais das duas empresas. "Cada uma delas tem acordos bilaterais que dão direito a rotas internacionais, que foram celebrados pelos seus respectivos governos com países estrangeiros", disse o consultor.
"Ou seja, se houvesse uma fusão completa das duas empresas, os direitos da KLM voar para o Brasil provavelmente seriam suspensos." Demissões Além dessas dificuldades, Sampaio ressalta a força dos sindicatos europeus, que não aceitaram um acordo que provocasse demissões na Holanda ou na França. "Já no Brasil, uma fusão entre Varig e TAM já prevê, de saída, um corte de 4 mil a 5 mil empregos", diz o especialista. A criação de uma empresa controladora para comandar as duas companhias, mas mantendo as identidades de Air France e KLM, é também um artifício que pode evitar problemas com os órgãos de defesa econômica da Europa.
O acordo ainda deve ser avaliado pela União Européia, mas como as duas empresas vão continuar existindo separadamente, especialistas acreditam que o acordo tem mais chances de ser aprovado. Redução de custos Por outro lado, comenta Sampaio, essas limitações atrasam a redução de custos. "A grande diferença é que quando se faz isso entre empresas da mesma nacionalidade, a simplificação é muito grande", avalia. A opinião é reforçada por Hink Potts, analista de aviação da corretora Barclays Stockbrockers, em Londres. "Se eles pudessem fazer uma fusão tradicional, as reduções de custos seriam muito maiores, mas ainda assim eles vão ter ganhos e pressionar a concorrência", diz Potts. O analista acredita que, se concretizada, a fusão da Air France com a KLM vai ser a primeira de uma série na Europa.
"Esse é o primeiro de uma série de passos que vão consolidar o mercado de aviação europeu. Essas fusões já estavam sendo esperadas há muito tempo e são totalmente vitais para que as empresas menores continuem no mercado", diz Potts. Mercado brasileiro Para Paulo Sampaio, esses negócios podem ter um impacto indireto no mercado brasileiro. "A tendência mundial de fusões está servindo como um catalisador da fusão das empresas brasileiras, mas o grande motivo do acordo é salvar as empresas, principalmente a Varig, que tem uma dívida muito grande", afirma Sampaio. "Para o consumidor, esse tipo de processo significa o fim da guerra tarifária", acrescenta o diretor da Multiplan. "Isso aparentemente é ruim para o consumidor, mas preserva as empresas que estavam sendo sucateadas pela guerra tarifária e, conseqüentemente, preserva a qualidade do serviço." |
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