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Atualizado às: 30 de setembro, 2003 - 16h52 GMT (13h52 Brasília)
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Brasil e EUA voltam a negociar criação da Alca

Lula e George W. Bush, em Washington
Lula foi recebido por Bush antes do fracasso da cúpula de Cancún

O Brasil e os Estados Unidos vivem a partir desta terça-feira mais um capítulo nas suas difíceis negociações comerciais. Negociadores dos dois países participam da reunião do Comitê de Negociação Comercial da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, em Trinidad e Tobago.

O debate é preparatório para uma importante reunião ministerial em novembro, em Miami, e servirá como um termômetro das relações bilaterais.

O clima entre brasileiros e americanos - que presidem juntos o processo de formação do bloco regional - não poderia ser pior.

Washington acusa o Brasil de ter provocado o fracasso este mês da cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún.

O governo brasileiro diz que a própria posição americana sobre subsídios grícolas impossibilitou qualquer diálogo. Cada lado deve agora testar até que ponto vai a boa vontade da outra parte.

Dificuldade

"Há uma dificuldade grande na negociação", admitiu à BBC Brasil o embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa. "Os EUA mudaram de posição, estão excluindo da mesa de negociações duas áreas, antidumping e subsídios, o que torna essa situação delicada."

Apesar da troca de acusações entre Brasília e Washington nas últimas semanas, porém, o embaixador Barbosa minimiza o conflito e diz que, apesar dos desentendimentos comerciais, as relações com os Estados Unidos nunca estiveram tão boas.

O que não significa que o país esteja disposto a ceder à pressão do governo George W. Bush e aceitar maus acordos, seja na Alca ou na OMC.

"O Brasil está buscando encontrar um consenso para avançar na negociação, desde que sejam resguardados os interesses nacionais - que visam obter um resultado equilibrado, uma situação em que todos ganhem", declarou Rubens Barbosa.

Até agora, a regra nas negociações da Alca tem sido o cada um por si. Os americanos retiraram das discussões os dois temas de maior interesse do Brasil: subsídios agrícolas e mecanismos antidumping.

Disseram que só tratariam desses assuntos na OMC - o que acabou não sendo discutido em Cancún. O Brasil contra-atacou: tirou da agenda da Alca aquilo que mais importa aos americanos: investimentos, compras governamentais e serviços.

Esvaziada

Manobras diplomáticas do gênero têm esvaziado o projeto de integração das Américas. Para isolar e enfraquecer a posição brasileira, Washington acena com vantagens em negociações bilaterais a países da América Latina com economias menores que a do Brasil.

"O fato é que a Alca não existe. Primeiro, os países devem se decidir se realmente querem criá-la", observa James Ferrer, diretor do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade Georgetown (EUA).

"Todos os países vão ter de ceder alguma coisa, mas primeiro precisam tomar a decisão de estarem dispostos a negociar e ceder."

Ceder ou não é o grande desafio da delegação brasileira em Trinidad e Tobago. Se as previsões de que o clima ruim resultante de Cancún contaminaria o processo da Alca se confirmarem, o diálogo poderia continuar estagnado esta semana.

Sem avanços, os pessimistas nos meios diplomáticos alertam que a aguardada reunião ministerial da Alca, em novembro, poderia ser uma repetição do fracasso de Cancún.

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