|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Alca não compensará frustração na OMC, diz especialista A frustração do Brasil com o acordo que se desenha na OMC (Organização Mundial do Comércio) não será compensada com as negociações da Alca – a Área de Livre Comércio das Américas. Essa é a opinião do professor emérito da UnB (Universidade de Brasília) e estudioso das relações Brasil-Estados Unidos, Luiz Alberto Moniz Bandeira. Ele, que lançou neste ano o livro “Brasil, Argentina e Estados Unidos - Da Tríplice Aliança ao Mercosul” (Editora Revan), falou à BBC Brasil sobre as negociações da Alca e da OMC. Para o professor Moniz Bandeira, o Brasil não deve aceitar acordos que abram seu mercado para produtos manufaturados sem obter compensação. Segundo ele, nem que os Estados Unidos fizessem uma nova proposta com a diminuição dos subsídios agrícolas seria bom para o Brasil. “Os Estados Unidos são um país no qual não se pode confiar. Eles denunciam um tratado quando querem. Eles saíram do tratado de Kyoto”, afirma. 'A Alca está morta' Moniz Bandeira acredita que a atuação do Itamaraty no governo Lula segue a tendência já observada com Fernando Henrique. “Existe uma mudança de tom, mas não de tendência”, diz o especialista. Para ele, a estratégia do Itamaraty é esvaziar as negociações da Alca. “O Brasil não pode aceitar um acordo que dê acesso a compras governamentais, serviços e investimentos como os Estados Unidos querem. Nem que fosse um outro governo, um outro chanceler. A Alca está morta deste o tempo de Fernando Henrique”, setencia. Moniz Bandeira, conhecido crítico das relações Brasil-Estados Unidos, disse que, se o Brasil aceitasse a Alca nos termos originalmente propostos, significaria virar mais um Estado da Federação Americana, “sem obter as vantagens de pertencer à Federação Americana”, complementa. Ele acredita que da negociação deve sair uma Alca “light”, bem menos abrangente. E que as mesmas concessões dadas aos Estados Unidos devem ser estendidas à União Européia. União Européia e Mercosul Para ele, é mais fácil negociar com a União Européia que sempre reconheceu o Mercosul. Os Estados Unidos seriam contra por motivos geopolíticos, o que dificulta uma negociação em bloco. Moniz Bandeira acredita que é no Mercosul que o Brasil pode obter os melhores acordos e vê com felicidade a adesão do Peru. “O Mercosul é irreversível. É uma união aduaneira, ainda que imperfeita. Por mais que Menem fosse contra, a Argentina não podia fugir da realidade do Mercosul”, afirma. O professor da UnB lembra que a Argentina não tem complementaridade econômica com os Estados Unidos e deve se voltar para o Brasil: “A Argentina não tem mais parque industrial. O que ela exporta é trigo e carne, produtos que o Brasil compra”. * Renato Lima, estudante de jornalismo, foi o vencedor do concurso da BBC Brasil que teve como prêmio um estágio de duas semanas na redação em Londres. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||