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Calor britânico aumenta lucro de supermercados
Os maiores ganhadores com a onda de calor na Grã-Bretanha até agora são os comerciantes de alimentos, que estão lucrando com maiores vendas de produtos de verão. Armados com amplas previsões de tempo dos serviços de meteorologia, os supermercados são capazes de aumentar suas receitas ao estocar antecipadamente material para chirrasco, cerveja, saladas e protetor solar. As redes de supermercados fazem a correlação das previsões de tempo com dados históricos sobre mudanças nos padrões de gastos dos consumidores durante ondas de calor anteriores. Com isso, os supermercados são capazes de antecipar com precisão quais produtos terão a maior demanda. Dividendos "É muito difícil pensar em um único item vendido no comércio que não tenha correlação com o clima", diz Steve Noyse, diretor de marketing do Departamento de Meteorologia da Grã-Bretanha. "Prevemos que a onda de calor vai durar até a próxima semana, e estamos dizendo aos comerciantes para aumentar seus suprimentos de itens como cachorro quente, pãezinhos e salada verde." Comerciantes já ganharam dividendos por prever mudanças na demanda induzida pelo clima neste verão. Em junho, as vendas no varejo no país registraram o maior crescimento mensal em um ano, ajudadas por uma semana de sol no fim daquele mês. Hambúrguer E a festa de vendas parece que vai continuar. A rede de supermercados Asda espera que dobre a venda de hambúrgueres e pãezinhos nesta semana. A companhia prevê que a demanda por ingredientes para salada e frutas de verão, como melão e morangos, aumente 40%.
Empresas de energia também devem aumentar suas receitas, pois o aumento no uso de unidades de ar condicionado provoca o crescimento na demanda por eletricidade. Acredita-se que a produção extra de eletricidade provocada por duas semanas de calor em junho aumentou o total da produção industrial em 0,7% em relação ao mês anterior, o maior ganho em quase um ano. Maldição Mas, em outras áreas, a onda de calor mais parece uma maldição do que uma bênção. Os perdedores mais óbvios são as empresas ferroviárias, que estão sendo forçadas a cancelar viagens e a impor limites de velocidade em trens, pois os trilhos ameaçam entortar com o calor flamejante. Setores de lazer, como os cinemas, que têm mais sucesso com clima frio, também têm um desempenho pior quando o sol brilha. O efeito líquido da onda de calor sobre a economia permanece uma questão em debate. Cálculos John Butler, economista para a Grã-Bretanha do banco HSBC, acredita que, no geral, o efeito é positivo. Ele argumenta que vendas mais elevadas no varejo e maior produção industrial vão superar o efeito negativo sobre o crescimento provocado pelo aumento nas taxas de ausência no trabalho por causa do calor. Mas outros economistas acreditam que a perturbação provocada por essa semana de temperaturas recordes vai afetar a atividade em todos os setores. O Centre for Economics and Business Research (CEBR), um centro de pesquisas baseado em Londres, calcula que a atual onda de calor pode custar até 280 milhões de libras (quase R$ 1,4 bilhão) por dia. "Estamos razoavelmente confiantes de que o efeito geral será negativo", disse Richard Greenwood, analista do CEBR. "Somos um país que não está preparado para climas extremos. Sempre nos pega de surpresa". A maior perda vem da queda de produtividade, quando os trabalhadores ficam abafados pelo calor, segundo o CEBR. Produtividade Com base em pesquisa do National Institute of Occupational Safety and Health (instituto nacional que trata de saúde ocupacional), o CEBR estima que a produtividade média do trabalhador britânico cai 8% quando a temperatura passa dos 26,66ºC. Mas se o termômetro chegar aos 37,77ºC – alguns meteorologistas prevêem que isso pode ocorrer nesta semana –, a produtividade desaba em 62%, privando a economia de uma produção avaliada em 280 milhões de libras por dia. Os supermercados podem lucrar com o estoque de artigos de verão, mas o CEBR acredita que o setor de varejo como um todo pode perder até 1,7 milhão de libras (cerca de R$ 8,2 milhões) por dia, pois os consumidores param de comprar artigos mais caros, como roupas. "Comerciantes de alimentos podem estar ocupados, mas se olharmos para o centro de Londres, não tem ninguém comprando hoje", disse Greenwood. O efeito negativo sobre a economia vem dos problemas na infraestrutura de transportes do país. Segundo o CEBR, o aumento no tempo de viagem ao trabalho e mais engarrafamento nas estradas custam outros 3,9 milhões de libras (cerca de R$ 19,5 milhões) por dia se a temperatura chega a 32,2ºC. Se os termômetros atingirem 37,77ºC, os custos sobem para 8,7 milhões de libras (mais de R$ 42 milhões) por dia. |
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