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Calor recorde em Londres muda a cara da cidade

Jovens brincam dentro de fonte na Praça Trafalgar, Londres
Trinta e cinco graus de farra na fonte da Praça Trafalgar

O calor de até 35,3ºC registrado nesta quarta-feira em Londres mudou o comportamento das pessoas nas ruas da capital britânica.

A temperatura máxima marcou um novo recorde: Londres viveu nesta quarta-feira o dia mais quente de sua história.

A marca de 35,3ºC foi a maior já registrada na capital, mas o recorde em toda a Grã-Bretanha ainda é de 1990, quando a temperatura máxima na cidade de Cheltenham chegou a 37,1ºC.

A Praça Trafalgar, no centro de Londres, fica na frente da National Gallery, que abriga obras dos grandes mestres da pintura como Rubens.

Mas, durante o dia, as duas fontes com chafariz na praça pareciam dominar as atenções de turistas e freqüentadores da área.

'Compensação'

"Não podemos viajar para o exterior neste ano por falta de dinheiro, mas achamos que este calor é uma compensação", disse Debbie Levitt, veterana de verões em Portugal e na Flórida.

Moradora de Lancashire, no norte da Inglaterra, Levitt encorajava as filhas pequenas a fazerem de uma das fontes uma piscina improvisada.

Mas há setores preocupados com os efeitos da onda de calor no país. Os trens se movimentam mais lentamente por causa do risco de deformação de trilhos causado pelo calor e uma central sindical quer a imposição de uma temperatura máxima de trabalho.

Se o termômetro passar dessa marca, a empresa deve dispensar os funcionários para evitar acidentes de trabalho.

'Decepção'

As muretas em volta das duas fontes da Praça Trafalgar são disputadas por gente animada para tirar os sapatos e mergulhar os pés na água.

Outros se aventuram a entrar na fonte, com água pelos joelhos. A maioria dos mais sem cerimônia é do interior da Grã-Bretanha.

Mas se para os britânicos o calor é motivo de festa, para alguns turistas estrangeiros altas temperaturas não combinam com o país.

"Estou decepcionada com esse tempo. Chegamos com a mala cheia de roupas de frio e agora temos que improvisar. Também não gosto de andar muito neste calor", disse a turista ucraniana Elena, que passava bronzeador no rosto do marido no meio da calçada.

Jovens na fonte da Praça Trafalgar, em Londres
Dia memorável para um povo acostumado a dias cinzentos

O ator japonês Yoshiro Sato diz que em Tóquio, onde mora, também faz muito calor em algumas épocas do ano. Ele diz que encontrou uma forma mais agradável de lidar com o inesperado calor londrino.

"Vim visitar uns amigos no ano passado e enfrentei calor, mas nada como hoje. A solução é beber muita cerveja e vinho para refrescar."

A indústria vinícola da Grã-Bretanha vê a onda de calor com otimismo. Não apenas por causa do aumento imediato do consumo, mas também com a perspectiva de um produto melhor.

"As uvas são uma variedade mediterrânea, e nós experimentamos temperaturas da região do Mediterrâneo, e não podíamos esperar nada melhor do que isso", disse Will Davenport, dono da Davenport Vineyards nas regiões de Kent e East Sussex.

Chá quente

A venda de bebidas geladas como frappés e sucos está aumentando. A gerente de uma unidade da lanchonete Coffee Republic no centro de Londres estima que nos últimos dias vendeu uma quantidade três vezes maior de frappés, cafés e chás gelados do que de costume.

Mesmo assim, há fregueses que vêem uma lógica científica em sentar-se em uma mesa ao ar livre e se refrescar com chá quente.

"Se o chá quente esquenta, o interior do nosso organismo e o ar está quente. Então, as temperaturas estarão mais equilibradas e eu não vou sentir desconforto", disse Roy Sedler, que trabalha na construção civil.

Ele afirma que rende menos no trabalho em dias quentes como nesta quarta-feira.

A central sindical TUC, que reúne 69 sindicatos representando mais de seis milhões de trabalhadores, alertou para o aumento de riscos de acidentes e doença com o aumento extraordinário de temperatura.

Patrick Seldom e seu berimbau na Praça Trafalgar
Música para Seldom, até dentro d'água

"Calor excessivo pode ser tão perigoso quanto frio excessivo", disse o secretário-geral da TUC, Brendan Barber, que quer fixar em 30ºC a temperatura máxima para um ambiente de trabalho seguro e saudável e 27ºC, caso o trabalho desenvolvido exija intensa atividade física.

Gente como o músico inglês Patrick Seldom pode não ser beneficiada por alguma lei de temperatura máxima, mas ele concorda que seus conterrâneos não se sentem bem quando os termômetros superam a marca dos 27ºC.

"Nós, ingleses, ficamos animados com um calor mais intenso, mas se passar de certo limite, começamos a ficar irritados", disse Seldom, que levou seu berimbau para tocar na Praça Trafalgar.

Amante da música brasileira, Seldom se anima em ver um toque de Brasil nas roupas leves e coloridas das pessoas que passam pela praça. Ele nunca visitou o país, mas já conheceu vários brasileiros e tem uma imagem pessoal do Brasil.

A alguns metros de seu berimbau, está Laura Hurt, de Cheshire, no noroeste da Inglaterra.

"No calor as pessoas ficam mais relaxadas e podem surgir oportunidades para namoro", concluiu ela, antes de tirar as sandálias e entrar numa das fontes da Praça Trafalgar para se refrescar.

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