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Atualizado às: 26 de fevereiro, 2004 - 12h43 GMT (09h43 Brasília)
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Polêmica à parte, 'A Paixão de Cristo' é um belo filme

Mel Gibson durante filmages de 'A Paixão de Cristo'
Mel Gibson durante filmages de 'A Paixão de Cristo'
Se fosse possível deixar a brutalidade e o simplismo de lado, A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, seria um belo filme.

Tendo o mais popular enredo da história ocidental como roteiro e a elegância visual proporcionada pelo diretor de fotografia Caleb Deschanel, o filme de Gibson é retratado em degradês de azuis e sépias, como grande parte das imagens cristãs produzidas desde a Renascença.

Mas a cada vez que o sangue de Jesus jorra - desde sua prisão pelos romanos, passando por uma segunda sessão brutal de tortura antes de seu julgamento por Pilatos, pelos passos do calvário, para culminar na crucificação – é Hollywood e não o evangelho quem fala mais alto.

Além do vermelho, que inunda a tela, Gibson volta a beber no mesmo cálice de efeitos especiais já sorvidos por ele em Coração Valente e O Patriota.

Câmera lenta

E é justamente esse cacoete narrativo que diminui a obra, turvando a dimensão espiritual do sacrifício cristão.

Encarnado com competência por James Caviezel, Jesus padece em câmera lenta.

Cada uma das pancadas, chibatadas, golpes de correntes que sofre, para não falar das clavas que furam as palmas de suas mãos na cruz, é amplificada por sons que reproduzem o barulho das armas.

Já do lado de seus algozes, romanos e judeus comparecem com graus distintos de vilania.

Certamente, os grandes bandidos são os romanos, não só por massacrarem Cristo, mas também por sua falta de modos.

Num segundo time, comparecem os judeus, chefiados pelo sacerdote Caifás, que pede a cabeça de Cristo para um Pôncio Pilatos quase dócil.

Turba sedenta

É compreensível que os judeus de hoje não gostem do filme, já que eles são pintados como uma turba sedenta de sangue, gente argentária e de dentes podres.

Na defesa de sua obra, Gibson, que investiu US$25 milhões no projeto, tem repetido que seu filme apenas reproduz a paixão de Cristo, e que a culpa ''é de todos nós''.

Mas é justamente aí que seu filme peca, justamente por seu maniqueísmo, fracassando em expressar as nuances da culpa e virtude definidoras da humanidade.

Essa A Paixão de Cristo é, portanto, mais uma história de um único mocinho contra vários bandidos, condenada a ser um campeão de bilheteria de proporções bíblicas.

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